#diariodagratidao 04-06-2019

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Ilustração  Robert Dunn


 


 


O som do relógio


Tem a alma por fora,


Só ele é a noite


E a noite se ignora.


 


Não sei que distância


Vai de som a som


Rezando, no tique


Do taque do tom.


 


Mas oiço de noite


A sua presença


Sem ter onde acoite


Meu ser sem ser.


 


Parece dizer


Sempre a mesma coisa


Como o que se senta


E se não repousa.


 


 


Poema de Fernando Pessoa


 

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