
_ Lembra-se do tempo em que eu passava tardes e tardes costurando?
_ Lembro-me, mãe. Eram tantas filhas, tantas roupas!
_ A maior parte das vezes, eu só fingia que costurava.
_ Fingia? Fingia para quê?
Os homens não gostam que as mulheres pensem em silêncio. Nascem-lhes nervosas suspeitas.
_ Enquanto ia costurando, o seu pai não imaginava que eu estava pensando. Minha cabeça viajava por todo lado.
Nesses escassos momentos, Constança era mulher sem ter que pedir licença, existindo sem ter que pedir perdão.”
Mia Couto, em “O outro pé da sereia”.
A excelente escrita de Mia Couto. Tenho que lá voltar, tenho saudades.
ResponderEliminarÉ sempre uma surpresa ler Mia Couto.
ResponderEliminarA escrita de Mia Couto é uma viagem de descoberta...
ResponderEliminarUma escrita luminosa!
Mena