Conversa com a chuva


 


Ilustração Alexi Torres


 


Assim mesmo
eu cá em baixo fico fascinado com a tua luz
e admirado como consegues ter essa voz grossa
que se ouve a quilómetros e quilómetros
de distância. Mas nunca tenho medo
porque sei que não estás zangada
e lembro-me que por vezes
dentro do meu corpo há um barulho assim
quando as vísceras andam às voltas porque
também eu comi mais do que devia.


 


 



E quando acabas
os rios estão mais cheios e levam
os barcos mais depressa
os peixes saltam a medir forças com a corrente
e transbordam as albufeiras das barragens
com a tua água
que irá produzir energia eléctrica
uma espécie de relâmpago que entra depois
nas nossas casas
sem nenhum barulho
e dura todo o tempo que quisermos.


 


 


Poema de Joaquim Pessoa


Comentários

  1. Devemos mesmo estar gratos pela chuva que embora tardia vai trazer novo alento aos campos , rios...
    E a chuva também fala conosco
    e conta-nos histórias de viagens
    nas nuvens que agora cinzentas de chumbo
    Já foram brancas de algodão em rama.
    Mena

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