#diariodagratidao 19-01-2019

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Ontem vi papoilas, não tão vermelhas como esta, eram pequeninas e frágeis, abanavam com o frio que se fazia sentir. A sua vida é breve, desfolham-se rapidamente, mas enquanto cá estão alegram os campos e as beiras da estradas. Tornam o nosso caminho mais colorido.


 


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Este era um bolo que a minha sogra costumava fazer, este fiz eu, o prato deu-mo ela.


 


 


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Aqui é uma janela de uma casa onde já fui feliz, e este é um brinquedo que pertenceu ao meu marido.


 


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Hoje o meu sogro faz oitenta anos, tem Alzheimer, há três anos que está num lugar onde é cuidado, não sabe que dia é hoje, nem que horas são, nem dizer se tem frio ou calor. Se lhe perguntamos se está tudo bem responde: está tudo bem. Perdeu o raciocínio. A capacidade de agir, mas continua fiel a si próprio: sereno.


 


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Das coisas que ele mais gostava de fazer era tratar das plantas, no quintal havia milhentas flores e florinhas. Estas são algumas das fotografias que tirei dessas flores.


 


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- Olha, anda cá ver esta, é nova!


 


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- Tens aqui hortelã da ribeira e lucia-lima para fazeres um chá, apanhei há bocadinho. Quando quiseres mais é só pedires.


 


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- Querem cá vir comer moamba de galinha?


 


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- Onde está o João?


- Foi com o avô até ao jardim para jogarem à bola.


- Foi com o avô ver os barcos.


- Foi com o avô jogar ténis.


 


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- Nós vamos à Figueirinha depois do trabalho, quererem vir? Depois dão banho aos miúdos aqui, jantam e vão para casa.


- Está bem, até logo.


 


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- Olha lá esta rosa, é bonita não é?


 


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-E esta?


 


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- Querem cá vir comer sardinhas assadas? Estão gordas.


 


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- Hoje o teu sogro é que fez os bombons de amêndoa. 


 


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São vozes que ficam, mesmo sem já cá existirem. Quando o vamos visitar, eu e o meu marido levamo-lo a um sítio onde há bolos e moscatel, também há música de fundo no ar, fingimos então que está tudo dentro dos conformes, apreciamos o moscatel e o doce, perguntamos e respondemos, e no fim o meu marido pega no braço do pai e pergunta: Vamos embora pai?  


 


Hoje estou grata por ter existido este tempo e por os meus filhos terem tido uns avós presentes, eu sei que esse tempo jamais voltará, mas eles ficarão para sempre em nós.  


 


 


 

Comentários

  1. É tão bom ter essas memórias e revisitar os que nos foram e ainda são queridos!
    Uma viagem de afectos...
    Gostei muito das fotografias e das lembranças escritas.
    Mena

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