#diariodagratidao 17-01-2019


Ilustração Heather Brockman Lee


 


 


 


Lá na escola, perguntei a um miúdo que estava a tremer porque não tinha casaco, disse-me que se tinha esquecido de trazer casaco, disse-lhe então onde poderia ir e perguntar se lhe emprestavam um, respondeu que não, que estava quase a ir para casa, no entanto continuava a tremer. Mais tarde encontrei-o já com um casaco vestido, perguntei-lhe se lho tinham emprestado, disse-me que não, era do colega e que o colega não tinha frio. O outro confirmou que o casaco não lhe fazia falta. Há hora do almoço fui ao nosso "posto médico", onde temos uma marquesa, estava lá uma pessoa deitada e muito tapadinha. Destapei a criatura para perguntar se estava tudo bem, era então o tal miúdo que estivera a tremer de frio, dormia a sono solto, e vi que ainda tinha o casaco do colega vestido. Voltei a tapá-lo, provavelmente alguém viria buscá-lo e aquilo seria uma gripe. 


 


Fiquei então com aquela imagem serena de alguém a dormir, com as bochechas rosadas e aquele casaco ainda vestido. Pensei então no colega que ficara sem o casaco para o emprestar. Ainda há pessoas boas, muitas mais do que pensamos. Hoje estou grata por conhecer pessoas assim. 


 


 


 

Comentários

  1. Infelizmente, é verdade. Encontrar colegas assim é cada vez mais difícil.
    Numa das minhas turmas de apoio, no 3.º ano, há um grupo de meninas que se puderem fazer mal a outras, nem pensam duas vezes. Custa-me imenso a entender, não sei se por estar habituado a trabalhar com mais velhos, o que faz com que meninas daquela idade seja más e já bisbilhoteiras! Não entendo.

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  2. Onde trabalho tenho observado verdadeiras amizades e isso deixa-me feliz. Isto era com miúdos de dez anos, fiquei verdadeiramente emocionada com a acção daquele menino, faz-me acreditar que tudo é possível. As meninas por vezes são mais complicadas...mas se formos a ver as mães são iguaizinhas. Aprendem em espelho.

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  3. Adorava discordar da Alice, mas é o que tenho vindo a constatar. O efeito espelho.
    Antes, os rapazes eram mais problemáticos (embora eu até goste pois turma sossegadinhas fazem-me sono. Creio ter alguma hiperatividade recalcada pelos métodos do meu pai quando mais novo e agora tão necessários para tantos)
    Recordo um caso no 2.º ano, em que a prof.ª, ao compor o cabelo da aluna dizendo "Assim fica-te melhor", esta foi dizer à mamã que a professora … puxou-lhe o cabelo!!!
    No 5.º e no 6.º constato a mesma maldade, que para aqui está mais enraizada do que no Norte. Dói! Nunca defendi que as crianças são boas, nascem boas (embora fique encantado numa turma do 2.º ano, cujos nomes nem consigo memorizar pois parecem-me uma ninhada de gatinhos lindos, todos parecidos). Muitas vezes, peço às mamãs para pararem o carro junto do portão da escola, abrirem o vidro do carro e ouvirem. As mais sensatas, na semana seguinte chegam-me "Ai Sr. Prof., nem sei o que dizer. Até a Y que parece não partir um ovo"...
    Se soubessem o que professores e auxiliares passam...

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  4. Há pessoas que ainda agem em prol do outro. Felizmente.

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  5. Lembro-me que algumas vezes, a minha filha chegou a partilhar o pão que levava para o lanche com uma amiga, que não tinha nada para comer. Uma ou outra vez chegou, inclusive, a dar-lhe o lanche porque até nem tinha fome.
    Isto na primária.
    Agora já não é tão generosa!

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  6. Felizmente, podemos ter esperança que o mundo do futuro, que será o destas criança, poderá ser um lugar de solidariedade e de gratidão pela herança que deixamos: os valores e o respeito pelo outro.
    Quero ter essa esperança.

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  7. Felizmente, ainda há amizades saudáveis.

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  8. Verdade, já trabalhei numa escola com crianças do 1º ciclo, e surpreendia-me imenso com a solidariedade delas para com os colegas mais frágeis.

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  9. Provavelmente o menino que teve esse gesto bondoso tem bons exemplos em casa.
    Parabéns pelo destaque.

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  10. Foram gestos lindos: o da Alice e o do colega do miúdo ...

    Mena

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  11. Há muitas, nós é que andamos distraídos com as tristezas do quotidiano. :)

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  12. Há-de voltar a ser. São fases da vida. :)

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  13. Eu tenho essa esperança, que o mundo se torne um lugar melhor. :)

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  14. Muitas vezes os pais é que atrapalham essa solidariedade. :)

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  15. Eu acredito que sim, que quem tem bons exemplos em casa é capaz de ter atitudes mais solidárias. Entretanto, os colegas ao verem estas acções poderão também eles aprenderem a agir desta forma. :)

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