Conversas da escola - As senhoras do bar

Como sabem estamos no início do ano lectivo e existem muitos meninos que vieram da escola primária, a maioria já tem dez anos de idade, uma década de vida! Alguns são extrovertidos outros envergonhados. Todos estão a experimentar um novo espaço, onde conhecem novas pessoas e outras rotinas. Uma escola de 2ºciclo é bastante diferente da uma escola primária, aqui há mais espaço, há outras valências, há que tornar-se autónomo, estar atento à campainha, aos trocos, comprar a senha do almoço, é um mundo novo e desconhecido para a maioria.


 


Sabemos no entanto que ao longo da primeira semana a maioria já se integrou, sabemos disso pela intensidade dos gritos e dos curativos, as filas na papelaria tornam-se maiores e as vendas no estabelecimento de comes e bebes disparam.


 


Nós adultos que trabalhamos neste espaço, estamos lá para manter o equilíbrio neste ecossistema de crianças, pré-adolescentes e adolescentes. Como devem entender é um trabalho árduo e resiliente. Para se ter uma leve noção disso basta multiplicar o número de filhos por trinta e tentar criar o foco de como seria a situação. Fácil não é?


 


Há ainda, a sensação de que uma criança não mente. É mentira! Eles mentem e muito, são autênticas máquinas de mentiras e dramas. 


 


Então como se gerem estas situações no nosso dia a dia? Com humor. O humor aproxima as pessoas e descontrai, obriga-as a pensar e a reagir. É importante perceber a dinâmica de uma piada e a sua mensagem. Vou-vos apresentar um exemplo:


 


A fila está cheia de gente miúda, grande parte vem pela primeira vez àquele espaço, têm os olhos em baixo e perguntam a medo:


 


- Tem sandes de queijo?


- Temos, e temos também de lagartixa frita...



 


Perceberam? A malta descontrai-se e vai perdendo a vergonha.


 


Mas há a outra versão - a do drama.


 


Assim, fiquei hoje a saber que uma Mãe dirigiu-se à escola a fim de falar com a Srª Directora para efectuar uma queixa contra as senhoras do bar. Porque as senhoras gozam com os meninos do 5ºano, "eles são muito pequeninos e não podem ser gozados".


 


Conclusão: vamos ter de mudar o cardápio, já não fazemos as lagartixas fritas, vamos fazê-las ao vapor que ficam menos caloricas. 


 


 


 


 

Comentários

  1. Hoje em dia, acho que o problema não são os miúdos, são os pais dos miúdos

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  2. Passamos do oito para o oitenta e oito (como diria o outro).
    Passamos dos professores que espancavam os alunos no tempo da ditadura salazarista e em que as crianas chegavam a casa e queixavam aos pais e eram de novo espancados, para os tempos em que os pais educam os filhos como se estes fossem umas florzinhas de estufa. Sinceramente? Não sei qual será pior.

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  3. Sim passámos do oito para o oitenta, mas não gostaria que se voltasse ao oito, apenas que imperasse o discernimento entre os mimos e a educação. :)

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