Conversas da escola - Amor incondicional


 


IIlustração Bill Mayer


 


 


 


Ontem recebemos um telefonema que nos deixou muito felizes, depois de ouvir falar mal constantemente sobre o nosso trabalho é bom saber que existem caminhos que acabam em bem.


 


- ...eu sou a avó do...e estou a telefonar para vos agradecer tudo o que fizeram pelo meu neto...ele agora está bem, já deixou as más companhias, está a trabalhar e gostam muito dele lá no trabalho, é para vos agradecer...


 


Ficamos arrepiadas, as notícias boas raramente nos chegam aos ouvidos, são muitos miúdos, mas lembro-me daquela avó, cujo o neto vinha de outra escola, porque ela queria que ele se endireitasse, lembro-me que telefonava para a escola quase todos os dias, senão mais que uma vez ao dia - ele já era um adolescente grandote - e perguntava se ele já tinha entrado, porque ele não lhe atendia o telefone e ela queria confirmar, e então eu recebia ordens para ir até à sala disfarçadamente ver se ele estava na aula, dizíamos então à senhora que sim que estava na sala de aula e ela ficava aliviada. 


 


Ficamos tão-encantadas por este agradecimento tão genuíno e despretensioso. E eu fico a pensar naquela avó guerreira que nunca desistiu do neto, que sempre insistiu e procurou alternativas àquilo que se estava a passar. Criou um objectivo e concretizou-o, pediu e muitas vezes implorou, mas conseguiu e nunca se acobardou, nem teve vergonha, foi à luta e muitas vezes em sofrimento, porque estes males fazem-nos doer a alma e derrubam-nos de uma forma permanente. Um grande bem haja para esta Senhora.  


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Tão bom. Onde trabalho, o stress, a pressão e a reponsabilidade da execução do trabalho merecem muito um agradecimento diário a quem trabalha. Infelizmente são mais os "coices" que predominam...
    E é tão bom quando há reconhecimento...

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  2. É bom sim senhora!

    As chefias não sabem apostar no reconhecimento, predomina o chefe autoritário, coisa cultural certamente...enfim saber motivar exige muito mais esforço e inteligência do que impor o respeito pelo medo.

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