O que nos embala?


 


Ilustração  Raissa Figueroa


 


 


 


As pessoas falam, especializam-se, dão opiniões fundamentadas, têm argumentos, objectos preferidos, crenças, sabem que em determinada idade é suposto fazer isto e aquilo, sabem que devem orientar-se para o futuro. Preocupam-se com a economia, com a violência, com o ambiente e com as outras pessoas.


 


Temos então um mundo construido na especialização da opinião e da experiência. Cada um com a sua pele tenta destacar-se do outro, cada um com a sua verdade, pensando que cada um é especial, um mais especial que o outro.  


 


Como uma escada no universo, onde o primeiro degrau é desconsiderado. Alguns sobem e destacam-se lá no cimo, olham para baixo e têm o mundo aos seus pés. A sua visão parece ser abrangente. Mas estão demasiado longe para reconhecer o que se passa naquela imensa paisagem. 


 


Lá em cima o tempo passa depressa, num ápice a vida se vai. Os anos correm e o tempo não abranda.


 


Afinal o que nos embala? São as emoções que nos embalam. É aquele abraço longínquo que nos foi dado na infância. É agradecer a quem te apara o pranto, quem te escuta quando falas. 


 


São as banalidades que passam sem darmos conta e que damos por garantido. São as banalidades que não sabemos explicar, nem ousamos discutir, são as dos outros e as nossas, são coisas reles, apenas importantes quando nos julgamos no fim. 


 


 


 


 


Alice Alfazema


 


 


 

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