
Ilustração Jane Spakowsky
Hoje logo pela manhã, enquanto tenho o bar fechado e estou a preparar a vitrine, os miúdos estão na sala polivalente conversando e esperando o toque da entrada, por vezes há muito barulho, cadeiras arrastadas, gritos, risadas, enfim um mundo de gente junta. Assim que toca a maioria levanta-se e vai embora, alguns arrumam as cadeiras, outros não, há quem deixe o seu lixo em cima das mesas ou pelo chão. Não há enraizado o respeito pelo espaço do outro.
No meio desta confusão retiram cadeiras de umas mesas e juntam-nas a outras, criam-se grupos grandes, hoje um dos grupos era bem grande, talvez umas doze cadeiras. Tocou e a malta levanta-se nas calmas, anda com um ar sereno ondulando sobre os mosaicos da sala, para trás ficam as cadeiras todas ao molhe.
Eu saio da minha toca preparo a voz e chamo-os: meninos...continuam ondulando, costas direitas e ombros erguidos. Vou atrás deles e volto a chamar: meninos. Lá me fazem o favor de olhar. Digo: meninos vão arrumar as cadeiras! Respondem em coro: eu arrumei a minha. Não fui eu... Volto a dizer: vão arrumar as mesas, é uma falta de respeito deixarem as coisas desarrumadas para os outros. Voltaram a responder que tinham arrumado a cadeira deles. Eu faço a minha cara 318 e levanto as sobrancelhas. Um dos miúdos veio ter comigo e diz-me que tinha arrumado a cadeira dele, todos os outros fizeram orelhas moucas e continuaram no seu fatídico destino rumo à sala de aula. Entretanto voltei ao bar com o miúdo atrás de mim. Eu fui continuar o que tinha por fazer, ele arrumou as cadeiras todas que estavam fora do sítio.
O tempo passou e chegou a hora do intervalo, claro que eu sabia que aquela maltinha ia ao bar na hora do lanche, hoje havia croissant de chocolate, e eles não resistem. Preparei a minha vingança.
A fila estava cheia de gente, barulho, risota, animação, e eis que chegam em conjunto suas excelências, pedem o bolo do dia, e continua a festa, chega a vez do miúdo que arrumou as cadeiras e pede o croissant de chocolate, dou-lhe e digo-lhe: este sou eu que te ofereço. Ele olha-me espantado e pergunta: é verdade?
Sim, é de borla, ofereço-te o bolo porque tu arrumaste as cadeiras todas sozinho, e diz aos teus colegas o que ganhaste pela tua acção. Obrigado, que bom.
Escusado será dizer quantos sorrisos amarelos provoquei.
Alice Alfazema
Eheheh!!! Devem ter ficado com uma cara...
ResponderEliminarUm bom dia
Beijinhos
Sim, disfarçaram, mas ficaram a olhar de lado para o bolo do outro. Há que semear para depois colher.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Bjs