
Anna Muzychuk, é ucraniana tem 27 anos e é dupla campeã mundial de xadrez. Estamos em 2017. O campeonato mundial de xadrez realiza-se na Arábia Saudita, durante esta semana, entre os dias 26 e 30 de Dezembro de 2017, a campeã mundial recusa-se a participar porque não quer ser obrigada a usar a veste feminina saudita, a abaya. Estamos em 2017.
E diz:
“Em poucos dias vou perder dois títulos mundiais, um a um. Apenas porque decidi não ir à Arábia Saudita. Por não jogar com as regras de outros, por não usar abaya, por não ter de ir acompanhada à rua, e finalmente por não me sentir uma criatura secundária”
“Há exatamente um ano ganhei estes dois títulos e era a pessoa mais feliz no mundo do xadrez, mas agora sinto-me muito mal. Estou preparada para lutar pelos meus princípios e faltar a este evento, onde, em cinco dias, esperava ganhar mais do que numa dezena de competições”

“Tudo isto é irritante, mas o mais perturbador é quase ninguém se importar realmente. Este é um sentimento amargo, mas ainda não é o que vai mudar a minha opinião e os meus princípios. O mesmo vale para a minha irmã Mariya — e estou muito feliz por partilharmos este ponto de vista. E sim, para aqueles poucos que se importam — vamos voltar!”
“Primeiro Irão, depois Arábia Saudita… Pergunto-me onde serão organizados os próximos campeonatos mundiais femininos. Apesar do recorde de títulos, não vou jogar em Ryad, o que significa perder dois títulos de campeã mundial. Para arriscar a tua vida, para usar abaya o tempo todo? Tudo tem os seus limites e os véus no Irão já foram mais do que suficientes”
Parabéns Anna!
Alice Alfazema
Vale mais perder todos os títulos, do que colaborar com uma Nação, que humilha as mulheres. Como era bom, que mais fizessem o mesmo!
ResponderEliminarParabéns pela decisão!
ResponderEliminarA dignidade vale mais do que o dinheiro ou os títulos .
Mas o que é facto é que poucos parecem valorizar esta corajosa atitude de uma jovem e dar-lhe o destaque e apoio que merece.
Parabéns à Alice por divulgar.
Mena
É preciso tê-los no sítio e hoje em dia há pouca gente que os tenha. Lembro dum caso grave que aconteceu entre a Rosa Mota e a Federação que lhe criava sistemáticos problemas e em sequência disso ela ameaçou correr por outro país.
ResponderEliminarAcho que uma coisa é, se formos visitar um país como turistas, devemos pois cumprir todas regras desse país, por mais ridículas que sejam. Já um atleta, que vai estar ao mais alto nível em competição, das duas uma, ou a Federação Internacional escolhia sempre um país organizador que respeite a liberdade cultural de cada atleta, ou então, para evitar este tipo de aberrações, durante esse período de competição, os atletas gozariam de imunidade diplomática, precisamente para não serem importunados.Mas só há imunidades para os políticos não é? É pena.