Farol


 


Ilustração Barry Ross Smith


 


 


Em cima do farol branco.


Um dos meus ouvidos ouve o mar,


sua voz e seu clamor.


 


O mar devolve tudo que não vale,


tudo ruim, ficando com o bom,


com coisas que o enobreça.


O meu ouvido ouve os peixes, as algas,


o tubarão que comeu a perna do pescador.


 


O outro ouvido meu ouve, sente


o vento, que fala bem perto.


O vento emociona, toca, e vai embora,


levando uma parte de mim,


da minha poesia e emoção.


Eu sei que fui com o vento.


 


Os meus olhos escuros misteriosamente ouvem


o cantar dos bem-te-vis e dos pardais defronte.


Eles ouvem, vêem Deus.


 


Os meus olhos claros vêem tudo:


o mar verde-azul, as ondas beijando a praia,


as pedras, os barcos de pescadores brincando.


O vento, perto, movimentando as areias das dunas,


os coqueiros, os pássaros, os montes,


e o sol criança


 


E vê meu amigo abaixo de mim.


Olhando de pé tudo isso, mas da forma dele,


com outro olhar e emoção.


 


 


Poema de Francisco Carlos Machado


 


 


 


Alice Alfazema


 


 

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