Sofá azul

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Um dia encontrei um sofá azul no lixo, alguém o tinha abandonado ali naquele lugar que é considerado o último, levei-o comigo e eis-me aqui diante deste oceano imenso, que vista meu Deus! Eu e ele ali frente a frente com esta massa indomável de água, vejo para além desta margem, muitos peixes andarão debaixo dela, outros à que se atrevem a saltar esta poça de sal gigantesca. E eu aqui do meu pequeno sofá azul, sinto este Sol nos meus braços enquanto abraço a cana de pesca e vejo o anzol vazio. Sinto a pedra quente, fervente conheço-a desde sempre. Lá em cima as pessoas olham, tiram fotografias, ouvem o barulho das ondas baterem neste bloco escuro e por vezes frio. Sei que me observam, mas não me importo, sei que também elas gostariam de ter o prazer de se sentarem no meu sofá azul.


 


 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. E que belo sofá!

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  2. Maravilhoso, apenas um senão, à que ter muito cuidado ao sentar e ao levantar, um pé em falso é a morte do artista. :)

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