Hesitante entrou numa cadeia de fastfood alemã que serve peixe. Era um desses dias claros e de termómetro benevolente. A velha senhora era alta, vestida de branco. Cabelo alvo, penteado com aprumo e preso por ganchos. Encomendou a refeição e sentou-se, com dificuldade. Deve ter sido uma mulher belíssima. Ainda o é no Inverno da vida. A postura das costas esculpia uma estátua. Pegou nos talheres com as mãos descarnadas, mãos de velha, gastas pelos anos, talvez pelos afagos. Caíram. Voltou a tentar. Caíram de novo. Tremiam-lhe as mãos. Fechou-se-lhe o rosto. Sem uma palavra o empregado, no início dos vinte anos, sentou-se à sua frente. Pegou nos talheres com ternura e paciência, galanteou com ela e deu-lhe a refeição à boca. O restaurante pôs-se num silêncio comovido, havia como um retalho de luz a iluminar toda a severidade dos dias. A velha senhora sorriu, agradeceu ao empregado e levantou-se muito digna, quase leve. Pareceu-me à saída do restaurante uma menina.
Não sei onde li que devíamos aprender a escutar como se estivéssemos na orla da praia contemplando o mar, nessa contemplação teríamos encostado ao ouvido um búzio que nos ajudasse a ouvir de perto a dor, o sofrimento dos outros ou conceder-lhes o que de mais precioso temos: o nosso tempo.
Texto de Helena Ferro de Gouveia, retirado do blogue Domadora de Camaleões.
Alice Alfazema
Que lindo! É verdade o tempo é precioso e temos que aproveitá-lo o melhor que pudermos pois já não o voltamos a ter de volta. Cada dia é especial, é único. Cada hora é extraordinária, é sensacional. Cada segundo é crucial, é essencial.
ResponderEliminarO tempo é algo muito interessante, nós vivemos dependentes dele, criamos uma rotina através dele e é através desse mesmo que vemos que os anos passam a correr sem termos maneira de controlá-los. Por isso o importante é aproveitar ao máximo cada momento da nossa vida.
Obrigada Alice por este momento!
Obrigada, Margarida por este comentário tão bonito e tão verdadeiro.
ResponderEliminarMuito emotivo.
ResponderEliminarObrigada pela partilha.
Beijinho.
Muito comovente. Muito obrigado, por esta lição.
ResponderEliminarSe contássemos mais histórias sobre o bem que há por este mundo fora o mundo seria um lugar melhor. :)
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