Cabelos ao vento

Não sou nem nem lembro ter sido aquele tipo de indivíduo a quem perspectiva  da morte (própria) amedronte. Hoje, na volta ciclística, alguns dos que por mim passavam apontavam para a cabeça. Admoestação. Não levei capacete. Muitas vezes não levo. Mais cedo ou mais tarde, um dia morrerei, não há capacete que me salve disso. Se morrer mais cedo, dado que não pratico golf nem invisto na bolsa, e sou assalariado, deixo de ser um peso prá economia. Enquanto vivo, e porque já vou nos cinquenta e cinco, de vez em quando apetece-me apanhar vento no cabelo. Não sei (o cabelo) quanto durará, é aproveitar.


 


Do blogue, Âncoras e Nefelibatas


 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. Um dia, haverei de escrever sobre essa paranóia, das pessoas que começam a andar de bicicleta e vão logo a correr comprar um capacete. (tal como os que começam a correr e pensam logo em comprar montes de coisas para mostrar) Não falo dos ciclistas de estrada (mais ou menos profissionais, mas falo dos que andam a passear nas ciclovias. Também acho piada daqueles que andam com os filhos, e também com capacetes.

    Eu comecei a andar de bicicleta aos três anos. Dei muitos tombos, esfarrapei muitas vezes os joelhos e os braços. Nunca a cabeça. Porque quando se cai de bicicleta, nunca se aterra de cabeça! É sempre com os joelhos e mãos à frente! Querem proteger os filhos? Então comprem-lhes joelheiras e luvas. Vão-lhes fazer mais falta!

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  2. Respeito a tua opção mas creio que o problema de não usar capacete não é o facto de se morrer. Se fosse assim, estava como tu, que se lixe tudo e se morrer morro. Mas o facto de cair e ficar vivo mas, maltratado, com com pilhas longa duração, é que é o cabo dos trabalhos.

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  3. Gostei deste texto como reflexão sobre a vida e a morte depois de uma certa idade e de como um simples objecto nos faz pensar nisso das mais variadas formas.

    Quando se tem filhos toda a nossa noção de perigo fica insuflada, não há nada a fazer. :)

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  4. As mulheres pensam muito mais sobre estas questões. :)

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