Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
Poema de João Cabral de Melo Neto
Alice Alfazema
Ao ver a foto só me lembrei da Quinta da Aveleda...
ResponderEliminarQue maravilha!
ResponderEliminarVou colocar mais fotografias, depois digo onde fica. :)
ResponderEliminarMas não é... :)
ResponderEliminarOk!
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