Há onze anos atrás fui a um almoço convívio na escola onde trabalho. Foi um almoço realizado no local de trabalho, onde foram convidadas pessoas que tinham trabalhado na escola e que já estavam reformadas. Achei óptimo, promover o convívio entre uns e outros, os que ainda trabalhavam ali, os novos trabalhadores e os antigos. Na hora da homenagem à antiga directora foi-lhe oferecida uma recordação como prova do agradecimento pelos longos anos que ali trabalhou. Então a senhora fez um pequeno discurso onde falou dos velhos tempos e dos colegas de trabalho, dirigiu-se a alguns que estavam presentes e nem por um momento falou dos "auxiliares", ou contínuos, ou lá o que lhes quiserem chamar. Eu fiquei à espera que o fizesse, mas não o fez, achei estranho. No fim do discurso todos bateram palmas. Eu achei estranho. Estes anos decorridos continuo a achar estranho que se não reconheça o trabalho dos auxiliares de educação, vulgarmente chamados de assistentes operacionais. Para muitos somos as pessoas que lavam as sanitas das escolas, para outros somos os que levam os recados, existem também os que pensam que não somos colegas. Felizmente existem alguns que nos acham imprescindíveis, mas o que eu gostaria mesmo é que esta mentalidade feudalista mudasse, mas mudasse de vez! Pode haver quem não se importe, mas eu importo-me.
Alice Alfazema
Pois: gostaria, mas não muda.
ResponderEliminarMais facilmente o Inferno se transforma num ringue de patinagem sobre o gelo, do que o mundo abdicar da sua vaidade.
Eu sou pessoa de acreditar sempre. Hoje foi um dia menos bom, amanhã será melhor. Para mim é triste esta linha de pensamento, pessoas que estão em lugares chave têm o dever de cortar com paradigmas instalados. Tenho esperança que as novas gerações vejam o mundo com outros olhos, e que mudem esta lógica suja.
ResponderEliminarObrigada pela flor.
Julgava que as mentalidades tinham mudado.... afinal não.
ResponderEliminarO problema é que as pessoas deixam de se importar com aquilo que lhes acontece, assim é uma tarefa árdua mudar as mentalidades enraizadas na sociedade. Uns porque fazem, outros porque consentem.
ResponderEliminarA minha fé reside naqueles que não se conformam. :)
Este é o país dos títulos por excelência, do sotôr(a) e do sôringenheiro, e onde se compram mesmo os títulos, mesmo que seja só para parecer o que nunca se foi mas que se queria ser. "Este mundo é p'ós espertos" diz-se. Dos espertos que querem ser melhores que os outros, nem que para isso passem a vida a enganar os outros. E o mundo em que as pessoas passam a vida a acharem-se superiores aos outros, só porque têm um salário superior, porque têm um carro melhor, porque compraram umas mamas maiores... Ter sempre mais que os outros.
ResponderEliminarE depois este é mesmo um mundo de aparências. Em tudo. Por exemplo, se eu for gordo e baixo as mulheres não vão olhar para mim. Mas se no dia seguinte eu ficar rico, como que por milagre dos pastorinhos, passo logo a ser o mais interessante e alto dos homens! E é este o mundo fútil em que vivemos.