Rosas

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Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.


 


 


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Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas…
Ausências e cegueiras absolutas
ofereces às vespas e às abelhas.


 


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E a quem te adora, ó surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!


 


 


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Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas…


 


 


Cecília Meireles


 


 


Alice Alfazema


 

Comentários

  1. maiordesessenta.blogspot.pt6 de abril de 2017 às 07:41

    Obrigada pela partilha do poema e das rosas!
    Mena

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  2. São as rosas do quintal do meu sogro. :)

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  3. Que rosas lindas, a vermelha é magnífica! E que bem acompanhadas estão por um poema também ele maravilhoso.
    Beijinho

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