Sylvie se casou, ainda jovem, com um militante político que lutava contra o violento regime ditatorial, instalado na República Democrática do Congo (RDC) e, com ele, teve seus filhos. Aqui, o medo de morrer é consequência direta de uma política de Estado conturbada, violenta e opressora.
Quando recebeu, pelo telefone, a notícia da prisão arbitrária do marido, soube que precisava fugir do país porque, a partir daquele momento, toda sua família havia sido colocada em real perigo de vida. Sem perder tempo, Silvye juntou algumas mudas de roupa, seus dois filhos pequenos e fugiu até o porto mais próximo para tentar embarcar, clandestinamente, em um navio, rumo a um destino desconhecido. Na fuga, não houve tempo para recuperar sua filha mais velha, que estava na escola e ficou sob os cuidados da sua mãe. Salva pela solidariedade da tripulação, Silvye embarcou no porão de um navio e, por não ver a luz do sol, nunca soube dizer quantos dias durou sua viagem. Os três foram alimentados com biscoitos e beberam a água que os tripulantes traziam até chegar no porto de Santos, litoral Paulista.
Ao desembarcar, Silvye não foi informada do local onde estava e não podia imaginar que havia cruzado o Oceano Atlântico. Perplexa em razão da quantidade de pessoas brancas que viu na rua e desorientada por não poder se comunicar em francês, descobriu que havia chegado no Brasil. Sem ter outra opção, Silvye dormiu dois dias na rua, com seus filhos, até encontrar um compatriota que a encaminhou para pedir ajuda em uma organização não governamental do centro de São Paulo.
Sylvie é advogada, nacional da República Democrática do Congo, casada e mãe de quatro filhos, é apenas um entre milhões de outros casos.
Este texto foi retirado do projecto Vidas Refugiadas, podem ler mais aqui.
Alice Alfazema
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