Hoje é dia de greve do pessoal não docente que trabalha nas escolas. Muitas escolas estão fechadas, outras estão a meio gás. A maioria das pessoas que lá trabalham ganham o ordenado mínimo nacional, independentemente de trabalharem há muito ou à pouco na função. A carreira existente é a de assistente operacional, ou vulgarmente chamada de "pau para toda a obra". O protesto dos trabalhadores é um grito mudo. Há muita gente desmotivada, que há muito deixou de acreditar, as pessoas desmotivadas são presas fáceis da precariedade...
Ontem uma mãe disse à porta da escola que nós funcionárias éramos muito espertas, porque tínhamos marcado a greve para a sexta-feira...portanto aquilo que se passa é que os funcionários são muito espertos e querem mais um dia de feriado, que até ganham bem para poderem dispensar um dia de trabalho.
Assim, o que interessa é ter o portão da escola aberto, para que os meninos entrem e por aí fiquem, não interessa em que condições isso se faz. A escola, também, serve muitas vezes de ATL, pois muitos entram várias horas antes de terem aulas, as explicações são muitas: não têm transporte, não têm ninguém em casa, apetece-lhes pelo convívio...
A maioria dos pais não exige saber quantos funcionários tem a escola, não sabe se é ou não cumprido o rácio, essa preocupação apenas existe nas escolas primárias, onde a faixa etária é menor, aqui onde coexistem idades entre os nove anos e os dezoito de idade essa exigência é praticamente inexistente, houve apenas uma exigência de que a escola fosse aberta mais cedo que o horário escolar, para que os meninos não ficassem sozinhos à porta da escola, isso implica que funcionários venham mais cedo, mas que também saiam mais cedo durante o período de aulas.
Quero acrescentar que os meninos com necessidades educativas especiais deixam de ter essas necessidades assim que saem da sala de aula. Depois vem a unidade de multideficiência que é outra vertente por desvendar...
Alice Alfazema
E quando são os professores? E não são os precários que fazem greves.
ResponderEliminarQuando são os professores a fazer greve a escola tem a abertura assegurada, apenas nas escolas primárias, quando o professor faz greve os meninos têm de ir para casa.
ResponderEliminarHá muito que não acompanho o que se passa nas escolas, apenas sei que hoje, em Portugal, as escolas são depósitos de crianças. As crianças portuguesas, são as que, no mundo inteiro, mais horas passam na escola. Depois acrescente-se a moda das "explicações", das atividades extra-curriculares como o ballet, música, karate, escuteiros, catequese, e todas-as-outras-que-o-filho-do-vizinho-também-faça e imagino o que restará a uma criança que teve a pouca sorte de nascer neste tempo. Um dia destes, os pais portugueses fazem as crianças e estas logo à nascença são levadas, e depois votam para os pais as conhecerem, quando arranjarem o primeiro emprego e já forem auto-suficientes.
ResponderEliminarIsto enquanto for legal os pais fazerem crianças... é que o "admirável mundo novo" está aí ao virar da esquina.
Sobre as greves aplica-se o "pimenta no cu dos outros é refresco". Nos jornais (que dão prejuízo, mas como são todos de direita e servem para passar a propaganda política) escreve-se sempre muito contra as greves. Tudo que sejam direitos é uma chatice, e fazer greve é um direito, em que a pessoa não ganha para se manifestar, mas é uma chatice que as pessoas se manifestem! E para que as greves surtam efeito, tem de haver consequências, infelizmente tem de haver gente prejudicada nas suas vidas, e que fiquem descontentes para que alguma coisa aconteça. Se não tem efeitos, os outros, nomeadamente os políticos, estão-se a cagar para elas!
Mas há uma coisa muito curiosa, critica-se quem faz greve, mas depois quando se conseguem os direitos para todos, não vejo os outros, os cornos-mansos que nada fizeram, a recusar o que foi conseguido. Por exemplo, os feriados foram devolvidos. Por que raio é que os milhões que votaram nos PAFiosos não se manifestaram nas ruas contra a devolução dos feriados? Por que é que não obrigaram os seus patrões a irem trabalhar nesses dias? Por que é que as pessoas que votaram nos PAFiosos aceitam de bom grado o aumento no salário mínimo? Por que é que não recusam porque, como diz o ex-primeiro-ministro, o tal que não se lembrava de ganhar 5 mil euros por mês, e que nem sabia que tinha de descontar para a Segurança Social, acha que que o aumento do salário mínimo é "excessivo"? Tempos estranhos estes, de milhões de indignados nas redes sociais, e depois cornos-mansos na vida.
Os direitos são realmente uma chatice, e é uma chatice que as pessoas se manifestem, concordo plenamente, porque vão perturbar o sistema e porque isso implica muita coisa, afinal só são importantes quando não estão. Depois há os que nada fazem e ficam à espera que "venha a nós o vosso reino, assim na Terra como no Céu", entretanto ficaram bem no filme, porque não prejudicaram o sistema.
ResponderEliminarConcordo com o ex-primeiro-ministro o aumento do salário mínimo é excessivo, porque quando mais aumentar menos fica, um exemplo disso é o notório crescimento das grandes fortunas, na cada vez maior desigualdade social, na precariedade laboral. O valor do salário mínimo é uma corda apertada no pescoço de quem o ganha. Como poderiam instalar a insegurança e o medo se aquilo não fosse apertado com força?
Lá está a pimenta no cu dos outros. 500€ é "excessivo", mas quem ganhou como ele dez vezes mais, nem sequer quis pagar as suas obrigações fiscais, que qualquer um de nós, sendo trabalhador dependente não pode fugir. Se 500€ é excessivo, então que se legisle que nenhum deputado ou ministro possa ganhar mais do que isso. Se é excessivo para uns também deve ser excessivo para outros.
ResponderEliminarE depois vem a chocadeira da Cristas falar em política de "amor". Disparou os valores da rendas como nunca, lá está, para favorecer os que mais património têm, e agora, por exemplo, no Porto (realidade que conheço) ninguém encontra um T1 por menos que um salário mínimo! E a minha pergunta é: as pessoas vão viver como? E depois os trouxas todas vão todos a correr votar neste gentalha. Uma colega minha diz que gosta muito dela! Como é que é possível as pessoas gostarem de quem lhes mete o pé no pescoço?
Vive-se hoje de manter aparências e de criar grupos de interesses, daí podem advir um mundo de oportunidades.
ResponderEliminarLá está o poder das manifestações. Na Roménia queriam legalizar a corrupção - algo que eu apoio totalmente no nosso país, pois sempre era mais ético; é que fingir que se investiga alguma coisa durante anos a fio, ocupando polícias, juízes, procuradores e advogados, chateando banqueiros, empresários e polítios, dá muito prejuízo ao erário público - mas as grandes massas de gente na Roménia, contestando a medida, fez com que o governo romeno fizesse marcha-atrás.
ResponderEliminar"The people don´t know their true power" lê-se num cartaz de um manifestante, ou como por cá se diria "o povo unido..."