Ilustração Otar Imerlishvili
Haverá alguma idade em que nos damos conta de já não somos os mesmos? Serão as desilusões que nos apressam para esse estado de consciência, ou será então retardada essa descoberta pela vivências de acções felizes. A imagem reflectida pelo espelho terá alguma influência nessa descoberta de que um outro ser vive dentro daquele corpo que conhecemos há tantos anos? A vida é uma viagem sem regresso, viajas com tanta gente dentro de ti que tens dificuldade em te reconhecer, és um pedaço de ti e dos outros, contaminaste com ecos e coisas das quais detestavas. Fazes escolhas boas e más. És agora um outro, mas queres voltar a ser o mesmo. Não é possível, tal como um rio, tu és um outro a cada segundo. A isso se chama aventura.
Alice Alfazema
Obrigado por este texto. Também o que se lê nos vai mudando um pouco.
ResponderEliminarAdorei o texto e a ilustração.
ResponderEliminarÉ bem verdade que o tempo nos muda por dentro e por fora...
É bom sinal vivermos esta aventura da Vida.
Há dias em que parece que voltamos a ter a juventude dos 18 anos e noutros sentimos o peso das (7???) encarnações que nos cabem!
Isto da idade e da forma como nos vemos é muito relativo...
Mena
.http://maiordesessenta.blogspot.pt/
Nunca...
ResponderEliminarNós somos o resultado de todas as experiências, boas ou más, por que passamos. E tudo está em constante mudança na sociedade, e as pessoas adaptam-se, até porque a larga maioria anda no mundo por ver andar os outros. Ousar pensar pela própria cabeça dá um imenso trabalho! Nada melhor que ter alguém que nos diga o que fazer, como agir, o que comprar, e seguir os outros como os ovelhas
ResponderEliminarMas independentemente dos sucessos, alegrias, frustrações e tristezas pelas quais vamos passando, não estou tão certo quanto isso que todos nós mudemos assim tanto, pelo menos a nossa essência. Boa ou má, tenha nascido direita ou torta, a nossa essência tarde ou nunca mudará.
Por exemplo, as pessoas vivem iludidas com o dinheiro, que o dinheiro é que as faria felizes, e vivem todos nessa constante ilusão de ficarem ricos de um dia para o outro. Mas o que dizem os estudos é precisamente o oposto. Um ano depois de terem ficado ricas, as pessoas que já eram depressivas continuam depressivas, as pessoas que eram alegres continuam alegres, e aí por diante. E depois toda a gente fica muito surpreendida quando vai a África, e vêem pessoas muito felizes com quase nada. Então afinal o que é que faz as pessoas felizes?
Eu olho para mim e continuo a ver o mesmo miúdo contestatário que gostava de escrever redações a Português, que ia a correr para o Polivalente para jogar ping pong nos intervalos das aulas, e que andava muito de bicicleta.
É verdade que perdi a inocência, a ilusão de mudar o mundo, a confiança nas pessoas, até porque ninguém gosta de queimar as mãos na fogueira... mas no fundo, a minha essência, para o bem ou para o mal, continua a ser a mesma.
Cada questão é como uma moeda, dois lados, duas versões, dois caminhos.
ResponderEliminarÉ verdade, por isso é que é uma aventura, nunca sabemos onde vamos parar.
ResponderEliminarA essência é assim num exemplo simples: um frasco de mel, que foi destapado, que esteve depois ao calor, em que veio alguém e tirou o que quis, aqueceu, esfriou, esvaziou...a essência está lá mas ele não é mais o mesmo, talvez nem tenha o mesmo sabor, nem a mesma cor, apenas sabemos que é mel.
ResponderEliminarEstá muito interessante a parábola do frasco de mel. Mas também podemos ser um vinho, que já levou tanta volta e reviravolta dentro da garrafa, que todo esse tempo só nos apurou as caraterísticas.
ResponderEliminarClaro que vamos mudando, ou nos ajustando às circunstâncias, mas não vale muito a pena olhar para trás. As coisas são como são, agora só podemos decidir é que mel queremos ser daqui para a frente!
Nem mais. :)
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