Um dia destes, alguém me confessou que estava muito cansada, que só tinha sono, e que o que mais queria da vida era dormir. Mas, não consigo, eu deito-me muito tarde, fico a fazer as coisas. Disse-me que já tinha deixado os comprimidos, mas que tinha voltado a tomá-los, acha que assim fica melhor, que os problemas que tem não são grandes, mas que lhe parecem enormes.
É depressão diagnosticou-lhe o médico. Eu que me dedico ao estudo da causas sociais, digo que o que ela padece é o síndroma da super mulher, agravado pelas pessoas que se colam a si, e são os filhos, o marido, a cadela, a casa às costas, os vidros por limpar, a roupa por passar, o emprego, as amigas que sabem fazer tudo muito bem, as colegas que são verdadeiras fadas do lar, a sociedade, a idade, a menopausa, a falta de férias, a baixa autoestima, a cultura portuguesa, o baixo rendimento salarial.
A medicação encolhe na sua mente os problemas, a ansiedade diminuí, dá-lhe asas e leva-a para o limbo das soluções. Flutua. Quer dormir. Muito. Para esquecer. Para descansar. Para poder viver: livre.
Quantas estão nesta situação? A escolha da vida que temos é um cliché.
Alice Alfazema
É verdade que hoje em dia tende-se a chamar de depressão a qualquer ocorrência que nos deixe tristes e desanimados!!
ResponderEliminarPois, e apenas os sintomas são tratados, não as causas.
ResponderEliminarConcordo plenamente !
ResponderEliminarTodavia, tudo em redor desse assunto hoje ainda é um autêntico tabu !
É mais fácil colocar a poeira para debaixo do tapete com comprimidos !
Eu evito a todo o custo mas - curiosamente - apesar dos meus fracassos e devaneios nunca nenhum médico me quis dar calmantes ou antidepressivos (até acho estranho) porque sabe-se que - hoje em dia - essa é a primeira solução ! Mas infelizmente existe muita boa gente a sofrer dessa maleita e a vegetar neste mundo à custa de prescrições ! Bjs
Muita gente, demasiada gente. Sair de casa e passear, mesmo que seja só, já é uma alternativa, existem muitas mais...
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