E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa?

 


 


"E se fosse eu? Todos responderam o que levariam nas respectivas mochilas. Até aqui, tudo bem. Mas, depois, perguntei: E se fosse eu a receber um refugiado em minha casa? E, aí, as respostas prontas converteram-se em silêncio. Um silêncio incómodo. Olhavam-se entre eles. Mostravam surpresa. Nenhum deles me deu uma resposta. Nada. Só admiração, espanto. Perguntei se dividiriam o quarto deles com um refugiado da idade deles. A maior parte disse que não. E foram bastante incisivos no não. Todos souberam fazer uma mochila, num instante, se fossem eles. Mas receberem alguém com uma mochila em casa: não é assim tão fácil."


 


Lido através daqui, e escrito primeiramente aqui.


 


E lembrei-me ao ler isto, que quando passo pelos meninos, quando eles estão a almoçar, e lhes pergunto se me dão um bocadinho, prontamente me respondem que não. Primeiro pensei que muitos estavam na brincadeira, e pergunto uma segunda vez, fazem ares de ofendidos, não são capazes de partilhar, a não ser que tenham contrapartidas. Há muito que não faço perguntas destas, a futilidade faz-me alergia. 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. "não são capazes de partilhar" - ora essa!!! O que mais fazem é partilhas... no face, no instagram, etc e tal!!!

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  2. Pois...partilhas há muitas, principalmente instantâneas. :)

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  3. O que me irrita é brincar-se com coisas sérias, Alice.

    Como se ser refugiado fosse um passatempo....

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  4. A intenção era podermos imaginar como teríamos de viver com pouca coisa...alcançar o sofrimento que isso acarreta - no entanto banalizou-se então o sofrimento do outro, sim isso é brincar com coisas sérias, demasiado sérias.

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  5. Há perguntas difíceis e respostas silenciosas.
    Uma coisa é a realidade e outra são os "ses"
    Um post que me deixou a reflectir.

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  6. É difícil para nós, seres humanos, prescindir da nossa privacidade

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  7. Concordo... tornar algo sério e real numa brincadeira. Acho tudo muito insensível.

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