
Ilustração Gürbüz Doğan Ekşioğlu
A ampulheta do tempo escorre gota a gota em tudo aquilo que podemos e gostaríamos de fazer. É noite, é dia, é noite, é dia. Escoou nas frases que dissemos, nos sorrisos, nos abraços, nas lágrimas. Aos anos, aos dias, às horas. Vai e não vem. Ficou-se. Espreitamos e não vemos, mas sabemos que ela está lá. Talvez seja de vidro, talvez seja de porcelana fina, ou de cristal, é frágil, quando se parte não existe retorno. Seguramos a ampulheta com leviandade e num sopro ela se vai, ficou-se então a leveza de tudo o que já era, mas já não é. Os bagos de areia fina espalham-se pelas memórias que ficaram, navegam nas brisas dos ecos. Brincam onde foram colhidas e voltam à originalidade intemporal da terra.
Nós somos um instante no infinito
fragmento à deriva no Universo
O que somos não é para ser dito
o que sente não cabe num só verso
Poema de António-Pedro Vasconcelos, quem canta é Ana Moura.
Alice Alfazema
Belo texto. Duas ampulhetas entrelaçadas formam uma estrela.
ResponderEliminarLindo! Adorei!
ResponderEliminarBjs