De onde venho? Sei lá. Para onde vou? Também não sei.
Há quem saiba tudo. Eu não sei de nada. Apenas estou aqui.
Caminhei até à maré vazia. Deu para caminhar mais longe, ver os baixios e o que restou das ondas que se foram. Foi um ano mentalista, de viagens para dentro, com paisagens para fora. Nem todas as viagens foram alegres, nem todos os tons de escrita puderam ser coloridos, nem todas as palavras fizeram sentido para quem as leu.
Podemos correr sem ir para lado nenhum. No entanto também podemos viver em mundos diferentes dentro de nós. Preocupar-mo-nos com coisa nenhuma. Somos uma gota no universo, ou nem tanto.
Gritamos sem som e rezamos lengalengas. Esquece-mo-nos de nós da esperança e da perseverança. Estamos aqui pelo nada ou por tudo.
Criamos amarras desnecessárias, em portos imaginários. Temos medos tempestuosos num mundo de imensas cores.
Onde estão as tuas asas? Para onde foram os teus sonhos?
O ano resume-se a doze meses? Onde deixas-te os abraços?
A tranquilidade do silêncio. A magia da cor. Abraças-te o sorriso?
Cheguei há tanto tempo e há tanto tempo que parti. Estou aqui e não estou. Fui para longe e estou tão perto.
Caminho pela praia quase deserta. Aqueço-me neste caminhar. Sinto os cheiros e os sons. A brisa vem até mim e me trouxe para aqui.
Alice Alfazema
É o gosto de viver...mesmo que o abraço dure pouco tempo... e algumas viagens sejam curtas... :)
ResponderEliminarDe onde venho não sei
ResponderEliminarPra onde vou eu sei lá
Na maré vazia caminharei
Sempre do lado de cá
Saber tudo de nada
E saber de nada convém
Na maré cheia a caminhada
Do lado de lá também
Somos gota no universo
Nas asas do sonho voando
Aterrando em lugar nenhum
Escutando o silêncio disperso
Desse novo ano chegando
Que será apenas mais um.