Trilho musical


Ilustração  Mark Smith


 


Encontrei este texto escrito pelo meu filho, estava guardado numa gaveta, quem o guardou já cá não está. E quem o escreveu não se lembra de quando o fez. É um pedaço de papel escrevinhado a lápis de carvão. Momentos. Silêncios. Risos. Ternuras. Lembranças.


 


Surge por entre um trilho musical, composto por colcheias, seminimas e pausas, um individuo, o qual considero um amigo e um exemplo, um ídolo. Destaca-se por entre a multidão monótono e triste, como se de um inverno se tratasse, onde as pessoas são folhas inexistentes e a atmosfera rodeante, a árvore quase morta da tristeza. 


 


Destacava-se pela simples razão de possuir a música nas suas mãos, a música na sua cabeça, a música no seu corpo. Resumidamente, a alegria. Se o pudesse descrever, diria que os cabelos são flautas transversais, e os olhos como fossem maracas. 


 


Incompleto o pensamento, um fragmento num pedaço de papel rasgado. Nada é completo, nem quando queremos, nem quando podemos. Somos um ponto frágil no universo. Às vezes música, às vezes brilho, por vezes silêncio, por vezes nada.


 


 


Alice Alfazema


 


 


 


 

Comentários

Enviar um comentário