Por onde me apetecia andar


 


Com estas bonitas palavras percorro este caminho.


 


 


O que tentam dizer as árvores
No seu silêncio lento e nos seus vagos rumores,
o sentido que têm no lugar onde estão,
a reverência, a ressonância, a transparência,
e os acentos claros e sombrios de uma frase aérea.
E as sombras e as folhas são a inocência de uma ideia
que entre a água e o espaço se tornou uma leve
integridade.
Sob o mágico sopro da luz são barcos transparentes.
Não sei se é o ar se é o sangue que brota dos seus
ramos.
Ouço a espuma finíssima das suas gargantas verdes.
Não estou, nunca estarei longe desta água pura
e destas lâmpadas antigas de obscuras ilhas.
Que pura serenidade da memória, que horizontes
em torno do poço silencioso! É um canto num sono
e o vento e a luz são o hálito de uma criança
que sobre um ramo de árvore abraça o mundo.


 


Poema de António Ramos Rosa


 


Fotografia daqui.


 


Alice Alfazema


 

Comentários

  1. Que sábias palavras.
    Bonita imagem.
    Benedita

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  2. A imagem é lindíssima e o poema super encantador,gostei bastante!!

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  3. Mas que não lhe apeteça andar sozinha nem de noite.
    É logo assaltada.
    Uma boa semana para si.

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