Os estendais


Ilustração Sarah Davis


 


Hoje está um dia de vento. Lá fora os estendais andam num rodopio. As roupas lavadas sacodem-se numa revoada colorida. O perfume do amaciador espalha-se no ar, confunde-se com o cheiro da terra que se prepara para ser molhada. Prendo bem as molas na corda do estendal, não quero perder nenhum pássaro colorido. A roupa lavada ergue-se ao vento avança e recua, baila. Somos nós que bailamos sem corpo. 


 


Alice Alfazema


 

Comentários

  1. Tirando a parte poética, - aproveito o ensejo para lhe dizer que é uma poetisa nata, - convém prendê-las bem não dêem em entrar de mais no espírito da dança e irem bailar para outra freguesia.

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  2. também gosto desses cheiros, Alice.

    (estou a ouvir a máquina, quase a parar... e a lembrar-me que tenho de estender a roupa e sentir esse perfume agradável)

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  3. Acho que o vento artormentado por alguma paixão não correspondida...

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  4. nos estendais dos homens a roupa nunca fica esticadinha e esvoaçante, por aí fica?

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  5. esvoaçante fica de certeza, é um problema que o vento resolve. :)

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