O elefante


Ilustração Jennifer Mercede


 


 


O rugoso elefante pousa as patas cuidadosas nas pedras,

Pedras do imenso caminho, sinuoso e íngreme,

Entre as antigas muralhas e as altas frondes,

E vai subindo devagar para o palácio- fatigado patriarca.

 

O rugoso elefante tem apenas um velho manto amarelo,

Manto amarelo esgarçado e pobre, que não se parece

Com as coberturas soberbas, os brocados que outrora

Envolveram seus ancestrais, portadores de palanquins.

 

O rugoso elefante é um grande mendigo, e atrás dele vão e vêm

As crianças ténues, de dentes claros, que agitam raminhos

E com voz de brincadeira vão dizendo aos viajantes:

“Bakhshish! Bakhshish!Bakhshish!”

Para ganharem alguma pequena moeda negra.

 

Vão cantando assim. E seus dentes são mesmo pequenas pérolas,

E o elefante protege as crianças com sua sombra,

Levando-as na tromba, ri com os olhos, é um avô complacente,

Que vai morrendo entre bondades, alegrias, pobreza, lembranças.

 

 

Cecília Meireles

 

 

Alice Alfazema

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