Detalhes de um dia de Verão


 


 


Um dia destes, na praia, observo alguém jovem, careca, deitado na areia sobre a toalha de praia, com os braços cruzados debaixo da cabeça, a cara virada para o céu, ao lado uma jovem loura e tostadinha pelo sol fazia-lhe companhia. Eu passo perto do casal, não posso deixar de olhar, da mochila pequena que estava perto do rapaz saía um tubo que entrava nos seus calções de banho, disfarço e olho por baixo dos meus óculos de sol. Uma algália. Não olho mais. Deito-me na toalha e olho o céu e o mar, olho quem está comigo, tento ver de que azul é céu, é azul clarinho, azul bebé. Mais tarde vejo a rapariga a dobrar a toalha de praia, enquanto o rapaz está sentado numa cadeira de rodas, o nadador salvador prepara-se para empurrar a cadeira naquela grossa passadeira vermelha. Eu levanto-me e vou mergulhar, preciso de água fria. 


 


Alice Alfazema


 


 

Comentários

  1. Magoa não magoa??????

    ResponderEliminar
  2. Mas ainda há muita gente a pensar que quem tem uma incapacidade deve ficar em casam isso magoa muito mais.

    ResponderEliminar
  3. Magoar aqui é no sentido de impotência, ver uma doença numa pessoa jovem e que poderia ter mil oportunidades pela frente magoa na perspectiva daquilo que poderia ser e não é. Tens razão, existe tenta gente que se condiciona ou é condicionado por preconceitos ou por barreiras impostas ou ainda escolhas de vida, magoa também, e muito mais porque é imposto não apenas pela doença, mas pela sociedade.

    Bom domingo.

    ResponderEliminar
  4. Sabes, percebi da pior maneira, a abrir janelas quando portas estão fechadas. Não temos que ver as possibilidades que teria mas as que TEM. Se tiver força de vontade o ser humano consegue TUDO, até mesmo o que parece impossível.
    Como é lógico queremos que a vida decorra normalmente, saudavelmente, mas que isso não seja impedimento para viver. Só o simples facto de o veres na praia já é um sinal que ele agarrou a vida, seja de que maneira for. Isso não me magoa faz-me ter um imenso respeito por ele. Mas eu estou habituada a ver situações destas quase diariamente, por isso tenho um desconto.

    ResponderEliminar
  5. Reconheço a tua mágoa, quando o meu filho tinha dois anos esteve internado durante oito dias, quando de lá saiu andou durante três meses a fazer "ginástica respiratória" sabes o que o médico me disse quando lhe deu alta? "este é daqueles que vai andar sempre no hospital" isso magoou-me da forma que falas, a outra mágoa que falo no post é a que podemos sentir quando gostamos de pessoas, quando queremos bem, claro que respeito e enalteço a força de vontade, mas isso não me impede de sentir outros sentimentos, se isso pode ser confundido com pena é outra perspectiva da qual não quero fazer parte.

    Um abraço

    ResponderEliminar
  6. Pois, a pena é um sentimento que se dispensa.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário