Aleluia


 


Madalena





Quedaram, frio o sangue, as mulheres chorosas, 

Sem cor, sem voz, de espanto e medo. E, de repente, 

Caíram-lhes das mãos as ânforas piedosas 

De bálsamo odoroso e de óleo recedente. 

 

Enfeitiçou-se o chão de um perfume dormente, 

E o arredor trescalou de essências capitosas, 

Como se a terra toda abrisse o seio, e o ambiente 

Se enchesse da jasmins, de nardos e de rosas. 

 

E Madalena, muda, ao pé da sepultura, 

Tonta da exalação dos cheiros, em delírio, 

Viu que uma forma, no ar, divinamente bela, 

 

Vivo eflúvio, vapor fragrante, alva figura, 

Aroma corporal, pairava... 

como um lírio, 

Num sorriso, Jesus fulgia diante dela. 




Olavo Bilac



Alice Alfazema



 


Comentários

  1. Alice, LINDO, este poema. Gostei de o ler, e quero desejar-te uma Feliz Páscoa.
    Beijinho
    miilay

    ResponderEliminar
  2. Obrigada, Miilay, também te desejo uma Páscoa muito feliz rodeada de risos e mimos.
    Um abraço.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário