40 anos de Abril


Hoje é véspera de Abril, daquele de 74, do século passado, do milénio passado, aquele de há quarenta anos. Os cravos estariam murchos se resistissem até hoje, mas os cravos renovam-se, vermelhos, a cada ano. 


 


Naquele tempo eu era pequena, tinha ainda mãos pequeninas, não sabia de nada, apenas ouvia conversas e músicas que se repetiam. Nesse dia lembro-me da mão da minha mãe apertando a minha, com força, não pude subir a ladeira a correr e fomos para casa, os vizinhos vieram conversar e contar as notícias daquilo que acontecia.


 


Hoje eu sei que ganhei. Como mulher ganhei um outro papel social, ganhei escolhas que posso fazer sem pedir autorização. A sociedade modificou-se, apesar de ainda existirem raízes que querem florescer, no entanto, agora podemos escolher, podemos mudar, podemos se quisermos!  E isso é Abril!


 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. Passados 40 anos começamos a fazer o balanço das perdas e ganhos. Perdas nem por isso, os ganhos são muitos: um Sistema Nacional de Saúde em vias de destruição, uma sociedade diferente, livre de medos, liberdades, de reunião, de expressão, de manifestações e outras e a igualdade da mulher, ainda incompleta mas que já não volta para trás.
    Lindos cravos.
    Um abraço.

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  2. Está na nossa mão mudar, a sociedade é sempre dinâmica, quem pensa o contrário ou ainda não viveu o suficiente ou anda em rebanho, cabe-nos então governar essa dinamização...

    Um abraço.

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  3. Tem muito que se lhe diga. Talvez escreva um pequeno post sobre este assunto que é complicado.
    Um abraço

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  4. Fico à espera, a perspectiva de quem viveu o acontecimento é sempre interessante. :)

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  5. Nem mais! Abril é como uma pedra valiosa que precisa de ser lapidada...com paciência temos Jóia.

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