É muito triste termos um dia só para nós, quando deveríamos ter todos.
Estas flores são para aquelas mulheres fracas, as deprimidas, as cansadas, as exaustas, as exploradas. Para aquelas que arrumam a casa, que cozinham, que acordam a refilar, aquelas que não são originais, que não têm blog, nem carro, nem pintam o cabelo, nem seguem as tendências da moda, que não usam batom. Para aquelas que se preocupam com os outros e se esquecem delas próprias, para as que não são chefs e cozinham maravilhosamente e ganham uma miséria, para as inúmeras que trabalham como auxiliar deste e daquele e vivem na margem. Para aquelas que não se valorizam, para as doentes, as feias, as gordas, as escanzeladas, as loiras, as pretas, as ciganas, as morenas feiosas, as que não têm olhos azuis, as loucas, as preguiçosas que têm a casa desarrumada, para as que nunca escreveram um livro, para as que não são actrizes, para as que não são cantoras, para as que têm celulite, para as que gritam, para as que não têm paciência, para as velhas que não têm botox, para aquelas que não sabem ler, para as que estão em cenário de guerra, que sofrem de violência doméstica, para as que não são bombas sexuais, e por todas as outras que ficaram por dizer. Porque isto de ser-se forte é um mito construído nas revistas cor de rosa e outros acessórios que tais.
Alice Alfazema
Um texto poderoso!
ResponderEliminarE extraordinárias as homenagens que aqui tem feito às mulheres.
Obrigada, pelas flores e pelas palavras.
ResponderEliminarUm abraço
Um belo texto. É o retrato do que se passa em diversos países do Ocidente «civilizado». Se pusermos um pé em Marrocos, aqui ao lado, e caminharmos para o Oriente é pior.
ResponderEliminarParece que temos de rever o conceito de civilização, no mínimo para civilização relativa.
Cumprimentos.
Em comparação com os números, apenas vemos as somas, nunca as causas.
ResponderEliminarBoa semana.