Todos os anos chegam à escola crianças e adolescentes vindos de instituições, são retirados aos pais, às famílias, vários motivos, várias estórias, vários dissabores e desamores. Todos os anos andam em vai e vem. Chegam sem raízes, sem amigos. Muitos chegam com raiva e em desassossego. Ficam por breves meses. Quando as raízes começam a crescer, quando a raiva começa a acalmar partem. Vão a caminho de outra instituição, vão a caminho de outra escola. Carregam assim as suas mágoas e emoções de terra em terra.
São gordos, magros, baixos ou altos, pretos ou brancos, ou de outra cor qualquer. Têm doenças. Sorriem. Entretanto desaparecem e é aí que dou por falta deles. Poucas despedidas. Desaparecem a meio do ano, como quem apaga o que ficou escrito no giz do quadro. Não interessa se foi um sucesso, o que conta é o tempo estipulado para a estadia em cada instituição, são números, apenas números. Não há emoções apenas números, que se escrevem em relatórios pomposos com escrita relevante ao assunto em questão.
Alice Alfazema
É mesmo isso, são números, e são um número enorme, quase 10000, a grande maioria vai crescer entre instituição e instituição sem nunca saber o que é o carinho ou o calor de um lar, o que é ter uma família....
ResponderEliminarJorge Soares
Infelizmente, no nosso país, o que conta são os números.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Bjinhos
Amiga, como tens razão! É uma triste realidade, que nos deixa marcas, pois quando estão ainda desenraízados os professores sofrem e multiplicam-se em estratégias para os socializar, quando está quase... lá vão. Mas ,as crianças e jovens são os que mais sofrem, e até quando.
ResponderEliminarBFS
Beijinho
miilay
Parece-me que vou repetir o que já disse: a Escola não pode, nem é essa a sua função, resolver os problemas que estão a montante, na família, na sociedade.
ResponderEliminarBom fim-de-semana.