mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.
pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.
às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.
lê isto: mãe, amo-te.
eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão
Alice Alfazema
Temos medos, por isso fechamo-nos no baú dos silêncios.Depois é tarde para dizer que amamos, quando perdemos um abraço que era único.
ResponderEliminarGosto muito do José Luís Peixoto! Tem uma maneira especial de escrever.
ResponderEliminarNão só o abraço...por mim aproveito cada momento, não perco abraços nem palavras são-me demasiado preciosas.
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