Hoje a escola esteve vazia, de gritos, de palavrões, de risos, apenas o temporal pairava nos pátios. O telefone está calado. A ventania levou as últimas folhas das árvores, deixou-as agarradas ao chão, coladas e irremediavelmente inertes. Dos telhados emergiram os últimos aviões de papel, ficaram pregados ao chão. Os jacintos já nasceram, espera-os a decapitação, mal a molhada entre na segunda-feira. As minhocas refugiaram-se debaixo das folhas molhadas. Nasceram alguns cogumelos. A trepadeira continua a comer os bichinhos da nespereira. Um pesadelo os montes de folhas molhadas. Os cortinados novos já estão nas janelas. O vento sopra e os cortinados abanam, não temos certificado energético. Amanhã haverá mais um dia de silêncios. Segunda-feira já é outra estória.
Alice Alfazema
Adorei a descrição desta tua escola sem gritos e onde a natureza se faz presente com detalhes que até parecem tratar-se dum qualquer recanto pacífico de um jardim público.
ResponderEliminarE se depois do começo das aulas, escrevesses o que aconteceu a todo este encanto?
Beijos
Nessas alturas até parece que o silêncio pergunta o que está ali a fazer tão só
ResponderEliminar
ResponderEliminarEstá prometido, para a semana escrevo.
Abraço.
Sabes, estes momentos de silêncios são necessários para retemperar energias, porque a próxima temporada já está perto, faltam apenas umas meras 48h, mais coisa, menos coisa.
ResponderEliminar