Filipa


 


 


Por vezes a maior conversa pode vir do silêncio. E as palavras mais duras podem nunca ter sido ditas. 


 


Dei por mim sentada segurando outro corpo, um corpo que não obedece, que se mexe sem disciplina. Uma menina, quase mulher adulta, presa dentro de carne e ossos. Penso se entende o que lhe digo, não tenho experiência suficiente para entendê-la. Fico a pensar se ela pensa no mesmo que eu. Os olhos parecem demasiado vivos para aquele corpo. O que se pode entender como normal e anormal? Quando nos deparamos com realidades tão diversas, onde as nossas pequenas coisas ficam esbatidas e desfocadas, como se apenas um voo pudesse ser a solução. No entanto, não há nada que apague o presente, nem há futuro diferente, existe apenas a ausência de um corpo que não sei se tem mente.


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. Ficamos tantas vezes com esse dilema de corpos que não sabem o que são e nem o que estão aqui a fazer. E alguns deixam de querer aqui estar...

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