O meu mano não ia porque simplesmente não tinha sequer dinheiro para se deslocar para lá. Tão simples quanto isso. Quem é daqui do Norte Transnontano pensar em ir a Lisboa ou até mesmo ao Porto é sinónimo de ficar sem comer uma semana. Há realidades que nos escapam!
O meu mano teve que emigrar. Era uma licenciado em Direito contratado por uma Instituição Estatal que lhe pagava 400 e poucos euros, brutos, para, muitas vezes, fazer mais que um um funcionário a ganhar mais do dobro!!!
Mutos dos jovens que conheço estão na mesma situação, e muitos se esquecem que para a deslocação é preciso dinheiro coisa que eles não têm a sobejar.
Sabes, o que eu penso é que o valor do trabalho aqui neste país é miserento, tanto que quando alguém se vê obrigado a mudar de profissão é aí que lhe começa a dar valor e a valorizar realmente o esforço do outro, independentemente daquilo que se estudou, mas antes o esforço diário naquilo que é feito, essa é a parte difícil que aparentemente é fácil.
Espero que o teu irmão tenha muita sorte e que consiga realizar-se. Eu própria comecei a trabalhar aos treze anos, porque infelizmente também não havia dinheiro, portanto podes ver que não há muita mudança neste país, apenas se mudaram as moscas. Mas é um dever dos jovens contribuírem para a sociedade e não esperarem que algo lhes caia do céu, entretanto muita coisa já está a mudar e já se vê mudanças no pensamento jovem, não apenas na esperança de conseguir algo lá fora, mas também fazê-lo cá dentro, imaginação é o que não nos falta, haja pois a ousadia de o fazer.
Porque muitos pais se esqueceram de lhes falar sobre a história recente do nosso país. Sobre o porquê do 25 de Abril. Da fome que os avós e eles pais passaram, do trabalho infantil a que foram votados porque era preciso comer, da escola que frequentaram apenas até à 4ª classe porque não havia dinheiro para mais, era preciso trabalhar por uma tigela de sopa e uma côdea de broa. Por não poderem dizer o que pensavam ou sentiam por viver no medo. Não é vergonha dizer que se passaram muitas necessidades, é tristeza e revolta. Porque os pais não ensinaram os seus meninos e meninas a lutar pelo que acreditam e lhes deram tudo o que não tiveram quando eram crianças.
Talvez porque os pais os protejam demasiado, fazendo-os acreditar que os seus desejos serão sempre satisfeitos?
ResponderEliminarNota: a alternativa à proteção exagerada não é uma educação à base da repressão, do castigo e dos mergulhos em água fria.
O meu mano não ia porque simplesmente não tinha sequer dinheiro para se deslocar para lá. Tão simples quanto isso. Quem é daqui do Norte Transnontano pensar em ir a Lisboa ou até mesmo ao Porto é sinónimo de ficar sem comer uma semana. Há realidades que nos escapam!
ResponderEliminarO meu mano teve que emigrar. Era uma licenciado em Direito contratado por uma Instituição Estatal que lhe pagava 400 e poucos euros, brutos, para, muitas vezes, fazer mais que um um funcionário a ganhar mais do dobro!!!
Mutos dos jovens que conheço estão na mesma situação, e muitos se esquecem que para a deslocação é preciso dinheiro coisa que eles não têm a sobejar.
Escuta a declaração
ResponderEliminarNão existe contradição
Os jovens não estão
Presentes na manifestação
Pois não têm motivação
Nem a tal predisposição
Já que sempre acreditarão
Ter o seu destino na mão
Mas em breve sentirão
Uma enorme estagnação
E por certo emigrarão
Um dia regressarão ou não
Então jovens não serão
Mais velha estará a nação.
Talvez.
ResponderEliminarSabes, o que eu penso é que o valor do trabalho aqui neste país é miserento, tanto que quando alguém se vê obrigado a mudar de profissão é aí que lhe começa a dar valor e a valorizar realmente o esforço do outro, independentemente daquilo que se estudou, mas antes o esforço diário naquilo que é feito, essa é a parte difícil que aparentemente é fácil.
ResponderEliminarEspero que o teu irmão tenha muita sorte e que consiga realizar-se. Eu própria comecei a trabalhar aos treze anos, porque infelizmente também não havia dinheiro, portanto podes ver que não há muita mudança neste país, apenas se mudaram as moscas. Mas é um dever dos jovens contribuírem para a sociedade e não esperarem que algo lhes caia do céu, entretanto muita coisa já está a mudar e já se vê mudanças no pensamento jovem, não apenas na esperança de conseguir algo lá fora, mas também fazê-lo cá dentro, imaginação é o que não nos falta, haja pois a ousadia de o fazer.
Boa semana
Porque muitos pais se esqueceram de lhes falar sobre a história recente do nosso país. Sobre o porquê do 25 de Abril. Da fome que os avós e eles pais passaram, do trabalho infantil a que foram votados porque era preciso comer, da escola que frequentaram apenas até à 4ª classe porque não havia dinheiro para mais, era preciso trabalhar por uma tigela de sopa e uma côdea de broa. Por não poderem dizer o que pensavam ou sentiam por viver no medo. Não é vergonha dizer que se passaram muitas necessidades, é tristeza e revolta. Porque os pais não ensinaram os seus meninos e meninas a lutar pelo que acreditam e lhes deram tudo o que não tiveram quando eram crianças.
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