Uma pergunta por dia: É importante termos irmãos?





Irmão, Irmãos Cada irmão é diferente. Sozinho acoplado a outros sozinhos.



A linguagem sobe escadas, do mais moço, ao mais velho e seu castelo de importância.



A linguagem desce escadas, do mais velho ao mísero caçula.



São seis ou são seiscentas distâncias que se cruzam, se dilatam no gesto, no calar, no pensamento? Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto, os mesmos copos, o mesmo vinhático das camas iguais.



A casa é a mesma. Igual, vista por olhos diferentes?



São estranhos próximos, atentos à área de domínio, indevassáveis.



Guardar o seu segredo, sua alma, seus objectos de toalete. Ninguém ouse indevida cópia de outra vida. Ser irmão é ser o quê? Uma presença a decifrar mais tarde, com saudade?



Com saudade de quê? De uma pueril vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre? 






Carlos Drummond de Andrade










Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.






Alice Alfazema

Comentários

  1. Não sei se é importante, mas eu tenho irmãos e damo-nos muito bem. É reconfortante saber que sendo preciso, há sempre algum presente.
    Mas também há amigos assim.

    Boa noite :)

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  2. Só tenho um irmão. Muito mais novo do que eu. Ele não cresceu comigo, porque eu andava a estudar fora e depois comecei a trabalhar. Eu para ele sou outra espécie de "figura materna" que o salva de enrascadas que a mãe não pode saber.
    Agora longe e com a vida às avessas, como quase sempre nele, é um motivo de preocupação. Aquele rapaz deixa-me sempre o coração nas mãos....

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  3. Dois irmãos, tão próximos na infância, tão distantes na idade adulta...
    Ele, mais novo, habituou-se a ver na irmã alguém que tomava conta dele, que lhe ensinava coisas, que lhe satisfazia caprichos, que não se zangava, quando ele lhe pregava partidas. Foi assim que os pais quiseram.
    Em adulto, ele não precisa de quem tome conta dele e lhe ensine coisas. E prega partidas a outros, assim como procura outros que lhe satisfaçam os caprichos. Deixou de precisar da irmã. E descartou-a.

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  4. Eu não seria a mesma sem a minha irmã.
    Mais velha. Que eu amo, por quem me confesso e assumo apaixonada.
    Somos água do vinho, sofro pelas diferenças de personalidade. Mas sei-nos parte uma da outra para sempre e isso faz-me sorrir. E agradeço por ser a caçula, por ter um exemplo para seguir (ou não!) todos os dias.

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