10 de Junho 2013




Gato velho, que não tem companhia, orelhas carcomidas nas lutas pela descendência. Deita-se nas pedras, recolhe na sesta aos bons dias de glória. Comeu a criatividade.


 

Não, não é cansaço...




Não, não é cansaço...




É uma quantidade de desilusão


Que se me entranha na espécie de pensar. 


É um domingo às avessas Do sentimento, 


Um feriado passado no abismo...




Não, cansaço não é...




É eu estar existindo 


E também o mundo,


Com tudo aquilo que contém,


Como tudo aquilo que nele se desdobra 


E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.




Álvaro de Campos








Alice Alfazema

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