(Des) conhecimento


 


Na era do (des)conhecimento, do entretenimento com máquinas, deixámos de dar primazia à partilha. No resultado um mundo a ficar oco. Baço de sentimentos. Os sentimentos crescem ou morrem. Se não os deixarmos crescer morrem, sejam eles quais forem.


 


E perguntam os filhos, e nada respondem os pais. A adolescência prolongada até ao infinito. Os filhos crescem mas continuam sendo educados como se tivessem quatro anos, o tempo das fraldas prolonga-se. Não sei se é os pais a recuarem no tempo, se a falta de tempo, ou perturbação do tempo.


 


Como te podes tornar adulto se os teus pais ainda não o são?


 


O mundo gira. O sol nasce. Os anos passam. A imagem é o mote.


 


Olha os putos já cresceram. Tapei os meus cabelos brancos. Vesti roupas juvenis. Oiço música da moda. Espero. Espero que o tempo não passe.


 


O pai bateu no filho. O filho bateu no pai. A mãe não tem tempo. Os pais gritam. Não me ouvem. Não sabem o que eu penso. Não conversam. Não partilham. Reclamam. Dizem que eu sou culpado. 


 


São pedaços de dias, folhas amarrotadas, são misturas de vidas e de pensamentos. Nada mais.


 


 


 


Alice Alfazema

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