Colarinho encardido

Eu compreendo perfeitamente quem trabalha dando exercício ao corpo, eu própria já o fiz. Já trabalhei muito, numa linha de produção, durante seis meses. No entanto, o trabalho que tenho agora cansa-me mais, vocês podem descansar o corpo que no outro dia estão recuperadas, com a cabeça não é o mesmo.




- O que eu gostava de ter um emprego assim.


- Mas, ganham uma miséria!


- Então, mas não levam nada para fazer em casa.


- (E as dores? Ficam no trabalho?)




Agora, em algumas empresas existem cacifos especiais para as pessoas que trabalham de forma não intelectual deixarem os seus cérebros e as dores. No fim da jornada podem recolhe-los sem prejuízo dos mesmos.


 


Vejam o burro, Camaradas


Esta zebra pequena vestida de lama bonita fofa


Tem quatro pernas de andar aos saltinhos


Duas orelhas ouvidouras de ouvir tudo bem


Dois olhos espertos cheios até às lágrimas de paciência


O nariz do focinho muito fresco e macio.


 


O burro é burro, Camaradas?


Quem diz que é burro e despreza este companheiro?


Quem quiser ofender-me não me chame de burro


Quem quiser ofender-me não seja tão amável!


Quem quiser ofender-me inventa outra palavra


Porque chamar-me burro lembra-me burro mesmo


E não posso magoar-me com simpatia.


 


Não estou a defender o amigo útil somente


Não estou a pensar bem deste que faz o seu esforço e puxa


Não penso que ele me ouve tudo e puxa mais forte assim.


Há coisas desde companheiro para pensar melhor e espalhar.


Falo agora somente só pela simpatia.


 






Mutimati






Alice Alfazema

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