Ânsia




Na semana passada um pardal entrou na minha cozinha, já era noite e o esquentador estava acesso, mesmo assim, o pássaro saiu de dentro dele ileso, não sei como, mas saiu. Escapou à panela que estava ao lume e voou pela casa. Apanhamo-lo. Fizemos, então, de uma caixa de papelão a sua casa de dormir, não mais se mexeu. 




No outro dia, bem cedo, na hora em que os pardais acordam e se espreguiçam, levámos a caixa para a rua, nenhum movimento lá dentro. Na rua o chilrear dos pardais ecoava no ar. O sol sorria. Mal abri a caixa um vibrante par de asas deu um salto para o céu. Veloz, voou em direcção às árvores e eu fiquei ali a olhar aquela vontade de liberdade. 








Um espírito habita a imensidade:
Uma ânsia cruel de liberdade 
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu compreendo a vossa língua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha...
Almas irmãs da minha, almas cativas!






 Antero de Quental, Redenção.








Alice Alfazema

Comentários

  1. Dizem que dá sorte quando nos entra um pássaro em casa, esse pelos vistos ressuscitou

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  2. Amiga, como gostei de ler este episódio, e que belo poema. GOSTEI!
    Um abraço
    miilay

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  3. Nunca pensei que ele tivesse tanta energia. E eu a precisar tanto dela.

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  4. A natureza é fantástica.

    Bom fim de semana.

    Abraço,

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  5. Eu penso que ele estava sossegado esperando a sua oportunidade.

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