Conto de Natal


 


Eram dois belos cedros, provavelmente plantados no mesmo dia, no meio deles existia um banco forrado a azulejos. Eram tão altos que o pescoço nos doía se quiséssemos ver as suas copas. Majestosos. Com os braços erguidos ao céu...às vezes dançando ao vento. Ao longe as Serras, o Oceano, o Rio, Palmela de um lado, Setúbal de outro, a seus pés a Quinta do Hilário.


 


Árvores centenárias.


 


Mudaram-se os tempos, as quintas se foram, a cidade cresceu, alastrou e com ela todas as vicissitudes do dinheiro. Dividiram a quinta. Voltaram a dividi-la, deixando-a em pequenos quadrados, belas casas se ergueram, arquitectura moderna, vidros, muitos vidros. Os cedros no último canto da quinta continuavam erguidos e majestosos.


 


E a última parcela foi vendida e nela construída a última casa, linda, linda, linda!


 


Aos cedros nada restava, dois metros de parede a parede, de casa a casa. A sua cor foi mudando, as suas raízes não aguentaram, o verde desapareceu, no entanto continuavam majestosos, mortos mas majestosos.


 


Quantos vezes passei por ali e imaginei luzes de natal naqueles belos ramos, quantas histórias saberiam estes magníficos cedros. Este ano só o vazio lá existe, mais uma casa vazia...


 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. Conheço estes lugares. Gostei deste conto de natal que me trouxe recordações e palavras de um sítio que tão bem conheço.

    Obrigada.

    Um belo presente de Natal para os seus leitores, sem dúvida.

    Um beijinho, Alice rodeada de Alfazema.

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  2. Obrigada, UJM, pelas suas palavras simpáticas.
    Um abraço, UJM, e Feliz Natal!

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