Açoteias


 


 


Abro a janela sobre as açoteias.


A luz é uma indolência universal, despida.


Nos tépidos lençóis de cal varrida


Acordam estremunhadas


Do mesmo sono


Sombras pacificadas


No total abandono


Que volúpia pedia.


Minaretes alados


De fantasia,


Desabrocham no ócio dos telhados.


Na praia movediça


Onde o dia tem pressa


E a vida tem preguiça.


 




Miguel Torga








Alice Alfazema

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