Uma pergunta por dia: O que é um emprego digno?

Há uns dias atrás, numa reportagem televisiva um senhor que estava desempregado dizia que queria um emprego, mas que fosse, um emprego digno. Pus-me a pensar, será que o meu emprego é digno? Talvez não, pois recebo tão pouco, sendo que, é um trabalho em permanente construção, nunca falado nos canais televisivos, jornais ou revistas.




Uma pergunta por dia até ao final do ano, quem quiser responder esteja à vontade.








Alice Alfazema

Comentários

  1. As tuas perguntas estão a dar que falar
    Não há empregos dignos, há sim pessoas que trabalham seja onde for e no que for com dignidade.

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  2. Qualquer emprego é digno.
    Se eu preciso do porteiro para contolar as minhas entradas no local onde trabalho, tenho de o tratar com respeito e dignidade. Logo, o emprego deste senhor é um emprego digno.
    Ou será que quem é doutor é que tem um emprego digno?
    Cumprimentos

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  3. Não me parece que alguém peça um emprego indigno. Mas de facto, o que é o senhor considera digno? Limpar o que os outros sujam é digno? Para ele digno é não sujar as mãozinhas!? Tinha que saber, para responder....

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  4. Um emprego digno: honrado; respeitável; nobre; conforme; apropriado; apto; habilitado; capaz; que vale a pena. Não fosse a parte " que vale a pena" encaixar-se-iam aqui, a maioria dos cidadãos.

    Um emprego indigno: que viola os valores morais de determinada sociedade; que não merece respeito; que não está à altura (de algo ou alguém); impróprio; desprezível.
    Cheira-me a politicos.

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  5. Dignidade em Portugal é um fatinho e gravata ou pelo menos roupa de marca e falar com condescendência amigável com o Zé Qualquer. Tudo o mais é indignidade. Como dizia aquela minha amiga ex MRPP : " é electricista MAS é um gajo porreiro!"

    P.S. Segundo Filomena Mónica em 1930 a percentagem de analfabetos em Portugal era de OITENTA por cento, ( UM por cento em 1900 na Suécia), hoje só conheço gente de origem aristocrática. (Onde raio se meteu tanto pé descalso ? )

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  6. 1º Acho que se escreve descalço e não descalso.

    2º Em 2007 criei uma loja de segunda mão. Ofereci ALOJAMENTO, ALIMENTAÇÃO e 33% sobre os lucros como único salário. Entre 2007 e 2009 publiquei anúncios com esta proposta no OLX . Em 2 anos recebi QUATORZE respostas/inquirições que resultaram em ZERO contratos. Em Fevereiro de 2009 publiquei o mesmo anúncio num site estrangeiro (justlanded) Numa SEMANA recebi DEZ respostas de vários países mas só lembro os da Bélgica, da Holanda, de Inglaterra e da Polónia. No dia 1 de Março de 2009 tinha à porta um jovem polaco que veio à boleia do seu país. Desistiu em Setembro de 2009 mas isso não vem ao caso agora. Em 2011 voltei a publicar a mesma proposta em sites portugueses e no referido Justlanded. Mas desta vez propunha também a alteração da loja para artesanato ou produtos biológicos. O anúncio num dos sites portugueses foi visto por 200 e tal pessoas. Recebi uma proposta de um nigeriano, outra de uma rapariga propondo artesanato à consignação e outra de alguém propondo transformar o espaço em agência funerária. Não sei se era a sério se humor. Fiz a proposta no facebook também. Um rapaz inquiriu e uma rapariga propõs-se visitar o espaço. Mais tarde enviou um email dizendo que por ser no Algarve não estava interessada pois era muito longe de Lisboa. Desta feita do estrangeiro recebi ZERO propostas (presumo que a ideia de vir para Portugal tenha perdido atractivo). Mantenho o anúncio há vários meses sem uma única proposta. Apesar de ter lido esta notícia http://jpn.c2com.up.pt/2010/12/23/crise_lojas_de_segunda_mao_sao_uma_solucao.html
    Suspeito que uma loja de segunda mão seja actividade de alta indignidade. Ou então querem um ordenado garantido. Primeiro não tenho com que o garantir e mesmo que tivesse só estaria interessado em alguém que queira ARRISCAR. Mas presumo que estejam apenas interessados num salário independentemente de a loja gerar receitas. E é assim, tenho um espaço de CENTO E CINQUENTA E SEIS m2 pronto a funcionar, na região do país com a mais alta taxa de desemprego. Vale que usamos o espaço quando faz muito calor ou muito frio pois nós moramos por cima e na loja está sempre menos calor ou menos frio do que em nossa casa e tem cozinha, quarto e WC. 3 por sinal. . Ou seja, é um óptimo loft de Verão e de Inverno. Enfim, não terá a dignidade requerida pelos portugueses mas prontos !!!

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  7. Envio endereço de foto do primeiro ministro holandês chegando (em total indignidade, suponho) à sua residência oficial: http://sphotos-g.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/560757_274009512718993_1837778267_n.jpg

    A propósito lembro afirmações do editor de economia da RTP aquando da viagem em 2ª classe de Pedro P. Coelho e que lembro mais ou menos assim:
    " ... eu quero que o 1º ministro do meu país fique em bons hotéis ...".
    Óspois falava em populismo, demagogia e na DIGNIDADE das funções do Estado. Pergunto o que aconteceria se um alto representante do Estado português ficasse num hotel de menos estrelas numa deslocação oficial ao estrangeiro? Seria notícia jocosa na imprensa internacional? Caía a família do jornalista na lama?
    P.S. lembro ainda ter lido nos jornais como argumento contra o juiz Rui Teixeira, salvo erro desencadeador do caso Casa Pia, a maneira como se vestia. E não foi comentário de leitor não, foi mesmo um jornalista que no seu artigo contra aquele juiz invocava este argumento.
    Ouvido na TV de um historiador - " 50 anos após a descoberta do caminho das Índias, o lucro daquele comércio destinava-se ao pagamento de juros sobre empréstimos para importação de bens de luxo. " Será verdade?

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  8. Compreendo a sua suspeita mas, em Portugal normalmente refere-se a prostituição, agricultura, pescas, construção civil, comércio, hotelaria, serviços e afins. Enfim, básicamente tudo que não tenha umas letrinhas antes. O mínimo aceitável é gerente. Mas este já levanta algumas suspeitas.

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  9. Um emprego digno, depois de lícito, será aquele que confere dignidade ao trabalhador, pelos resultados obtidos, pela consideração e respeito mútuo entre trabalhador e empregador, e do qual resulta uma remuneração justa.
    mas quem estabelece as remunerações e o valor das coisas, decidiu que há pessoas que, mesmo fazendo trabalho útil, necessário, imprescindível, não têm direito a mais do que um salário mínimo. E que outras, por trabalho igualmente útil, necessário e imprescindível podem ganhar dez ou vinte vezes mais.
    Também decidiram que existem pessoas com todas os direitos, e outras com todos os deveres, tão mal distrinuídos como os salários acima indicados.

    Conheço um servente da construção que trabalhava 6 dias por semana, cerca de 12h por dia e com muitas deslocações, ganhando cerca de 900€/mês. Um dia, aceitou um emprego de cantoneiro de limpeza, 5 dias por semana, 6 horas por dia, perto de casa, que lhe permite ir levar ou buscar a filha à escola, por cerca de 600€/mês. Muito mais digno, digo eu.
    Há 9 anos , eu ganhava XXXX€/mês + regalias, e despedi-me porque a empresa não tinha qualquer consciencia social e maltratava os operários de categoria inferior. Fui trabalhar noutra empresa, por XXXX-300, mais perto, da qual me despedi por salários em atraso e criminalidade do patrão. Fui trabalhar para outra, por XXXX-700, para conseguir ficar mais perto das minhas filhas, da qual me despedi, por trabalhar demasiadas horas, demasiado longe, e as filhas se terem transformado em filhas dos avós.
    Criei uma empresa, e hoje raramente tenho ordenado, para pagar impostos e ter as contas em dia, pelo que hoje se vive lá em casa com com cerca de 30% do orçamento de há 9 anos atrás, quando eramos um casal sem filhos, e com juros bonificados na habitação.
    Criei a empresa, para a minha família ter dignidade. A dignidade ficou no meu acto, e nos resultados que apresento dia a dia. A da nossa qualidade de vida, essa está a fugir-nos, dia após dia...

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  10. Parabéns, Alice! Os seus recortes do quotidiano são um digníssimo emprego do seu tempo e sensibilidade.
    Obrigada!

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  11. um dia disseram-me isto: "não são as profissões que fazem as pessoas, as pessoas que fazem as profissões." :)

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  12. Eva, obrigada pelas suas simpáticas palavras, um abraço.

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  13. Sem dúvida, há sempre gente que faz a diferença naquilo que desempenha.

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  14. Tenho a certeza que com a sua persistência e criatividade conseguirá ultrapassar os obstáculos de que fala...a criatividade faz milagres, aposte nela.

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  15. Ainda temos que derrubar o preconceito para que se sinta a dignidade.




















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  16. Dá que pensar, afinal, dignidade é um conceito muito abrangente...

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  17. Sim, o preconceito, ainda impera em Portugal...daí as desigualdades salariais que se praticam no país.

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