Vermelho

Não podemos adiar a vida nem os acontecimentos, à que enfrentá-los no presente. Por mais duros que sejam é no presente que têm de ser resolvidos e mesmo que hoje não dê tempo, amanhã há outro presente.


 



 


Não posso adiar o amor


 


Não posso adiar o amor para outro século 


não posso


ainda que o grito sufoque na garganta


ainda que o ódio estale e crepite e arda


sob montanhas cinzentas


e montanhas cinzentas


 


Não posso adiar este abraço


que é uma arma de dois gumes


amor e ódio


 


Não posso adiar


ainda que a noite pese séculos sobre as costas


e a aurora indecisa demore


não posso adiar para outro século a minha vida


nem o meu amor


nem o meu grito de libertação


 


Não posso adiar o coração


 


 


António Ramos Rosa, Faro, 1924








Alice Alfazema

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