Não gosto de interpretar livros ou de fazer resumos, porque muitas vezes me parecem injustos, pois cada um interpreta essa leitura segundo a sua própria experiencia de vida, os seus costumes e os seus gostos. Por isso não me é possível falar sobre este livro, apenas vou deixar alguns excertos de uma vida que merece ser conhecida. Num tempo em que se fala tanto de dificuldades, vale a pena recordar aquilo que ficou para trás no tempo e na história. A vida de um homem que poderia ser um resignado à sua condição, mas não o fez, ultrapassou obstáculos e superou-se, viveu intensamente independente aos pensamentos e opiniões que lhe poderiam ser feitos.
" Os outros ouvem, mas não como os cegos. Quando este ouve, concentra a sua própria alma e detecta a mais leve das variações, a menor fracção de tom...que revelam minuciosamente todas as mudanças de boas-vindas, atenção, frieza, prazer, sofrimento, alegria, reprovação e tudo o que enche as medidas da sua miséria ou da sua jovialidade."
" A descoberta do desconhecido não é uma prerrogativa de Sinbad, ou de Eric, o Vermelho, ou de Copérnico. Todo e cada homem é um descobridor. Começa por descobrir o amargo, o salgado, a concavidade, a macieza, a dureza, as sete cores do arco-íris e as vinte e tal letras do alfabeto. Passa aos rostos, aos mapas, animais e estrelas. Termina com dúvidas ou fé e a quase certeza da sua própria ignorância...Eu partilhei a alegria e a surpresa de descobrir sons, línguas, crepúsculos, cidades, jardins e pessoas, todos distintamente diferentes e únicos."
" No cume do precipício e no coração das florestas verdes...existia uma inteligência no vento das colinas e no silêncio solene da folhagem enterrada, que não podia ser equivocado. Entrou dentro do meu coração e podia ter chorado, não pelo que não podia ver, mas pelo que senti e não conseguia descrever."
Deixo ainda, em jeito de reflexão, este poema escrito pelo viajante cego:
As belezas do belo
São veladas ao cego,
Mas não as graças e o desabrochar
Que floresce na mente.
As belezas nas formas mais refinadas
Estão condenadas a desfalecer;
Mas não as belezas da mente,
que nunca desvanecem.
James Holman (1786-1857)
Alice Alfazema
Comentários
Enviar um comentário