Se observarmos e analisarmos as nossas paisagens temos acesso a imensa informação. São verdadeiros museus a céu aberto, por onde já tanta gente passou e deixou as suas histórias de vida. Um terreno que hoje parece abandonado foi em tempos o motor de uma economia local e regional que mantinha a vida em constante movimento. O que parece apenas um campo aberto, é bem mais que isso, cada árvore, cada pedra, existente nesse campo são marcas de demonstração económica, de um quotidiano rural.
"O openfield caracterizava-se por ser uma paisagem agrícola de campos abertos, sem cercadura, disposto em forma estelar à volta de um habitat concentrado. Os indivíduos dispunham do direito à parcelização, mas não forçosamente da propriedade, de uma ou várias parcelas, onde se praticava a alternância das culturas. Esta alternância, geralmente trienal (em certos casos poderia ser quadrienal), fazia-se em três partes: a primeira destinava-se ao trigo ou ao centeio; a segunda a um cereal de Primavera, aveia ou cevada; a terceira ficava em pousio. Ao fim de três anos, a determinação das culturas mudava. Por vezes, o trabalho das lavras, sementeiras e colheitas fazia-se em comum. Ninguém era livre de trabalhar nos campos antes de uma decisão colectiva, como também ninguém era livre da escolha das culturas praticadas. O pousio era forçado. Para pasto, o gado dispunha das folhas em pousio assim como das restantes folhas de cereais, ou seja, no restolho dos alqueives."
in, Antropologia, Armindo dos Santos
Seria bom olhar para estes museus a céu aberto e pensar em recuperar sabedorias perdidas, saberes ascenstrais, que não vieram do acaso, mas que se perdem no ocaso de uma era que se diz de conhecimento.
Alice Alfazema
gostei!!!
ResponderEliminarA antropologia é uma ciência surpreendente, sou fã.
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