Como é lindo recordar,
Os tempos que já lá vão,
Sempre alegres e a sorrir
Ceifando o nosso pão.
Trabalho que não cansa,
Desde que seja com amor,
Começávamos ao nascer do sol,
Era até ao sol-pôr.
Os filhos vinham connosco,
Ao pé de nós brincavam,
À noite deitavam-se cedo,
E cedo se levantavam.
Cantávamos lindas cantigas,
Que vale a pena recordar,
Quase sempre ao desafio,
Nem dávamos pelo tempo passar.
O trigo que semeávamos,
No moinho era moído,
Amassado com as mãos,
No forno a lenha era cozido.
Agora ninguém semeia nada,
Não é preciso para comer pão,
Se não houver em Portugal
Vem de outra nação.
Mas vai tudo acabar mal,
O que eu digo, levem sentido,
O dinheiro vai acabando,
E vamos voltar ao tempo antigo.
(...)
in, As Maias entre mitos e crenças
Alice Alfazema
Querida Alfazema:
ResponderEliminarLinda trova.
Nunca mais vai haver ceifas. Quem ainda ceifaria? Os velhos não podem, os novos não sabem nem querem.
Beijo
Maria
Quando os novos descobrirem que o sucesso está no património esquecido, isto tomará outro rumo.
ResponderEliminarAbraço
Bela evocação, Alice rodeada de alfazema. As coisas boas, intemporais, as coisas aos poucos vamos regressando.
ResponderEliminarO velho ciclo, da vida e do conhecimento.
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