O lado oculto da sala de aula

O lado obscuro do tampo da mesa, onde se podem esconder segredos. Pouca gente sabe deste misterioso lugar. Apenas aqueles que ali se sentam têm o privilégio de o saber.


Existem outros seres que conhecem esse lugar e que também são misteriosos, são eles as "continas".


 


 



 


As continas habitam  nos recintos escolares, auxiliam nas tarefas pedagógicas, educativas, limpeza... e descobrem tesouros debaixo dos tampos das mesas de sala de aula, alguns são valiosíssimos, outros escandalosamente agressivos, que trazem consigo a raiva e a desilusão do dia-a-dia. 


 



 


Há meninos de várias espécies, os ricos, os pobres, os assim-assim, de várias cores, de várias nacionalidades, de várias idades, com pais presentes, com pais ausentes, sem pais. Todos fazem asneiras. Nem todos riem.


 


 



 


 


Talvez o lado oculto do tampo da mesa, seja como o lado oculto da vida, aquele que escondemos dos outros, até alguém descobrir. No fundo, todos querem agarrar o sonho e a vida, todos querem rir, ter o Pai e a Mãe presente. São meninos e meninas sedentos de alegria, de abraços, de beijos. Possuem a loucura da idade e a juventude do sonho.


 


 


 


 


 


 


Alice Alfazema

Comentários

  1. Vou continuar a chamar-lhe Alfazema. A cor, o cheiro dessa flor pequenina e humilde, agradam-me muito.
    É verdade o que diz. Todas as crianças precisam de ter uma infância feliz. É a base das suas vidas.
    O Padre Américo dizia: "Não há rapazes maus". Ao pé dele, nas suas "Casas do Gaiato" não havia maus rapazes. Ali, eles tinham casa, cama, comida, educação, amor. Conheci várias casas dessas e vi. As portas estavam abertas. Nesse tempo, nenhum fugia.
    Hoje, fala-se muito neles, mas faz-se pouco.
    Claro que todas as crianças têm as suas asneiritas. As palavras debaixo da mesa, não têm grande importância. Pode ser uma brincadeira. O prazer de chamar nomes à professora, que se calhar, lhe ralhou.
    Um abraço e obrigada por ter aceite o meu comentário anterior.
    Maria

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  2. É verdade não há crianças más, há simplesmente percursos de vida diferentes que, levam a asneiras diferentes.
    Eu gosto de ser Alfazema, alias, eu própria escolhi este nome - Alice Alfazema.
    Gostei de tê-la por cá, Maria.
    Um bom Domingo.

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